
A cada nova informação divulgada sobre a tragédia aérea que matou seis pessoas no Rio de Janeiro, uma pergunta ganha força: como dois helicópteros podem colidir em pleno voo em um espaço aéreo monitorado?
A resposta passa por um detalhe técnico pouco conhecido do grande público. Segundo especialistas da aviação, as aeronaves operavam sob a chamada modalidade de voo visual, um sistema amplamente utilizado por helicópteros em áreas urbanas e que depende, fundamentalmente, da atenção e da capacidade de observação dos próprios pilotos.
Em outras palavras, diferentemente do que muitos imaginam, nem sempre existe um controlador de voo determinando a distância entre uma aeronave e outra. Em determinadas operações, especialmente nos corredores visuais, a responsabilidade de evitar colisões recai diretamente sobre quem está na cabine.
O diretor-técnico da Associação Brasileira de Aviação Geral (ABAG), Raul Marinho, explicou que os helicópteros costumam utilizar rotas previamente definidas pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), verdadeiras "avenidas aéreas" que organizam o fluxo das aeronaves. Nesses corredores, a principal ferramenta de separação continua sendo a visão humana.
Por isso, ainda é cedo para apontar culpados ou determinar as causas do acidente. A investigação conduzida pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) deverá analisar uma série de fatores, incluindo possíveis falhas humanas, condições meteorológicas, aspectos operacionais, comunicação entre as aeronaves e eventuais problemas técnicos.
A tragédia ocorreu na região da Avenida das Américas, no Recreio dos Bandeirantes. Após a colisão, os helicópteros caíram em uma área utilizada para armazenamento de veículos elétricos. O impacto provocou uma explosão seguida de incêndio, destruindo cerca de vinte automóveis.
Entre as vítimas estão os pilotos Alexandre Souza e Charles Marsillac, além do cantor norte-americano Oliver Tree e do influenciador argentino Gaspi. Nenhuma das pessoas a bordo sobreviveu.
O episódio reacende um debate importante sobre a segurança da aviação em grandes centros urbanos. Embora o voo visual seja uma modalidade segura e amplamente utilizada em todo o mundo, acidentes como esse demonstram que a margem para erro humano, por menor que seja, pode produzir consequências devastadoras.
Agora, todas as atenções se voltam para o relatório do Cenipa. Somente após a análise detalhada dos destroços, das rotas percorridas, das condições climáticas e das comunicações entre os pilotos será possível compreender o que transformou uma manhã comum em uma das maiores tragédias aéreas recentes do país.
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