
O advogado e empresário Abelardo de la Espriella saiu na frente no primeiro turno das eleições presidenciais da Colômbia e agora disputa o segundo turno em clima de polarização política. Com mais de 90% das urnas apuradas, o candidato de direita alcançou 43% dos votos, contra 41% de Iván Cepeda, nome apoiado pelo atual presidente Gustavo Petro.
A eleição colombiana também repercute no Brasil. Nas últimas semanas, Espriella apareceu ao lado de Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro em articulações políticas voltadas para uma aproximação entre setores conservadores da América Latina. O colombiano chegou a defender a criação de uma “frente comum contra a esquerda radical” na região.
Aos 47 anos, Espriella disputa sua primeira eleição presidencial. Conhecido no país por atuar como advogado em casos de grande repercussão, ele construiu patrimônio atuando na defesa de empresários, investigados por crimes financeiros e até acusados ligados ao narcotráfico. Fora da advocacia, mantém negócios nos setores de moda, bebidas, café e restaurantes.
Durante a campanha, adotou um discurso de outsider político, apostando em patriotismo, endurecimento da segurança pública e críticas diretas ao governo de Gustavo Petro. O crescimento nas pesquisas ocorreu nas últimas semanas, quando ultrapassou nomes tradicionais da direita colombiana.
Inspirado na nova direita internacional, Espriella passou a se apresentar como “o tigre”, numa estratégia semelhante à utilizada pelo presidente argentino Javier Milei, conhecido como “o leão”. A imagem busca reforçar força, combate ao crime e enfrentamento aos grupos armados.
A segurança pública se transformou no principal tema das eleições colombianas. O país enfrenta uma das maiores ondas de violência da última década, cenário que favoreceu o discurso mais rígido do candidato de direita. Entre as propostas defendidas estão construção de megapresídios, endurecimento das regras carcerárias e operações militares mais agressivas contra facções e narcotraficantes.
Do outro lado, Iván Cepeda defende a continuidade da política de diálogo com grupos armados iniciada pelo governo Petro e aposta no combate financeiro ao crime organizado.
O segundo turno, marcado para 21 de junho, colocará frente a frente dois projetos completamente diferentes para a Colômbia: a linha dura conservadora de Espriella e a continuidade do projeto da esquerda colombiana representada por Cepeda.
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