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Política PEDOFILIA EM CRECHE

Saiba quem é o diretor de creche preso por abuso sexual de crianças em Timon

Investigação aponta que suspeito levava crianças para depósito sem câmeras dentro da creche. Caso reacende debate sobre critérios de contratação e fiscalização de profissionais que atuam com menores

27/05/2026 às 17h09
Por: Douglas Ferreira
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O acusado de pedofilia na creche de Timon Alberto Luiz Freitas Monção - Foto: Reprodução
O acusado de pedofilia na creche de Timon Alberto Luiz Freitas Monção - Foto: Reprodução

O abusador sexual não anda pelas ruas com uma placa pendurada no peito. O pedófilo não traz uma faixa na testa avisando quem é. E é justamente por isso que toda sociedade precisa permanecer em estado permanente de vigilância quando crianças estão sob a responsabilidade de adultos, seja diretor de escola, treinador esportivo, professor, cuidador ou gestor de creche.

O caso que chocou Timon, na Grande Teresina, escancara exatamente essa realidade. Alberto Luiz Freitas Monção, de 49 anos, vice-diretor de uma creche municipal, foi preso preventivamente suspeito de abusar sexualmente de crianças de apenas dois e três anos dentro da própria unidade escolar. Segundo a Polícia Civil, ele escolhia preferencialmente crianças autistas ou com dificuldade de verbalização, justamente por terem mais dificuldade de denunciar os abusos.

A denúncia começou após familiares perceberem dores e sinais incomuns em uma das vítimas. A partir daí, a polícia iniciou diligências e analisou imagens das câmeras de segurança da creche. As investigações apontam que o suspeito retirava as crianças das salas e as levava para um depósito localizado dentro da diretoria, um local sem monitoramento.

E aqui surge um detalhe assustador: segundo a investigação, a câmera que existia no local teria sido retirada pelo próprio investigado após assumir a função. Ou seja, não se tratava de algo improvisado ou impulsivo. Havia método, preparação e escolha estratégica de um ambiente isolado.

Vídeos analisados pela polícia mostram o diretor conduzindo crianças até o depósito, onde permanecia por alguns minutos. Uma testemunha considerada fundamental chegou a questioná-lo repetidamente sobre o motivo de retirar os alunos das salas de aula.

Até o momento, três vítimas já foram identificadas, mas a polícia acredita que o número pode ser maior. O material apreendido segue sob perícia.

O episódio levanta uma pergunta inevitável: como um homem investigado agora por pedofilia ocupava justamente um cargo de direção dentro de uma creche infantil?

É impossível não questionar quais foram os critérios utilizados para colocá-lo numa função tão sensível. Afinal, quem trabalha diretamente com crianças deveria passar por avaliações rigorosas, acompanhamento psicológico e filtros muito mais profundos do que simples indicação política ou análise burocrática de currículo.

A Prefeitura de Timon informou que exonerou o diretor-adjunto, afastou toda a direção da unidade e decretou intervenção imediata na creche. A medida era necessária. Mas chegou tarde. O dano já foi provocado.

E o mais preocupante: este não é o primeiro caso semelhante envolvendo estruturas públicas municipais. Isso demonstra que não basta apenas afastar o acusado depois da tragédia. O poder público precisa agir antes.

O caso evidencia a necessidade urgente de criação de protocolos específicos para contratação de profissionais que atuarão diretamente com crianças. Equipes multidisciplinares, acompanhamento psicológico, investigação social e avaliação contínua deveriam ser regra obrigatória.

Porque quando o assunto é infância, prevenção vale mais do que qualquer discurso posterior.

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