
A Espanha viveu neste sábado um daqueles momentos que entram para a história política de um país. Uma multidão tomou as ruas de Madri numa demonstração de força, indignação e desgaste do governo socialista de Pedro Sánchez. Não foi um pequeno ato isolado de oposição. Foi uma manifestação gigantesca, barulhenta e carregada de simbolismo político.
A chamada “Marcha pela Dignidade” reuniu mais de 200 mil espanhóis, segundo os organizadores, em um protesto marcado por críticas duras ao atual governo, acusado por manifestantes de transformar o Estado espanhol numa espécie de máquina de poder ideológico, cercada por escândalos, alianças controversas e crescente erosão institucional.
Faixas com palavras como “máfia socialista”, “fim da censura” e “renúncia já” dominaram as ruas da capital espanhola. O clima era de revolta aberta contra Pedro Sánchez, acusado pelos opositores de tentar controlar instituições, pressionar a Justiça, dividir a sociedade espanhola e sufocar vozes críticas ao governo.
O episódio também reacende um debate que atravessa décadas e continentes: a repetição de escândalos, denúncias e crises envolvendo governos de esquerda ao redor do mundo.
Na América Latina, por exemplo, o chamado socialismo bolivariano acumulou ao longo dos anos uma sequência quase interminável de denúncias de corrupção, aparelhamento estatal, concentração de poder e enfraquecimento institucional. Venezuela, Nicarágua e outros regimes alinhados ao modelo populista latino-americano se tornaram exemplos frequentes de crises econômicas, colapso institucional e suspeitas envolvendo recursos públicos.
No Brasil, os escândalos também se sucedem em velocidade impressionante.
Somente no atual governo Lula 3, o país viu explodir casos que abalaram a confiança da sociedade e do mercado. O rombo bilionário no INSS, envolvendo descontos indevidos em aposentadorias e pensões, gerou indignação nacional. Já o chamado Caso Master passou a levantar suspeitas sobre relações perigosas entre poder político, sistema financeiro e interesses privados.
E as suspeitas não param por aí.
Programas sociais e iniciativas do governo também passaram a ser alvo de questionamentos. O programa Pé-de-Meia, por exemplo, já enfrenta críticas, suspeitas e cobranças sobre critérios, execução e transparência dos recursos públicos.
Na Espanha, os protestos refletem justamente esse esgotamento de parte da população com governos acusados de ampliar o tamanho do Estado, concentrar poder político e cercar-se de estruturas cada vez mais fechadas ao contraditório.
Pedro Sánchez, aliado político de líderes progressistas latino-americanos, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tornou-se alvo de um movimento popular que acusa o governo de usar o discurso democrático enquanto amplia mecanismos de controle político e ideológico.
Os manifestantes espanhóis também criticam as alianças do governo com separatistas catalães e grupos de extrema-esquerda, além do que chamam de crescente insegurança, polarização social e deterioração das instituições democráticas.
Independentemente das divergências ideológicas, a gigantesca manifestação em Madri mostra que cresce, em várias partes do mundo, a pressão popular por transparência, responsabilidade fiscal, segurança jurídica e limites ao avanço do poder político sobre instituições e sobre a própria sociedade.
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