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Comprimido contra câncer de pâncreas dobra sobrevida e anima médicos após décadas de fracassos

Nova droga oral conseguiu bloquear mutação considerada “inalcançável” pela ciência e trouxe resultados inéditos em pacientes com doença avançada

22/05/2026 às 10h47 Atualizada em 22/05/2026 às 17h58
Por: Wagner Albuquerque
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Imagem: Reprodução
Imagem: Reprodução

Uma nova medicação experimental está mudando a forma como médicos enxergam o tratamento do câncer de pâncreas, um dos tipos mais agressivos e letais da doença. Batizado de daraxonrasib, o comprimido conseguiu dobrar a sobrevida de pacientes em estágio avançado durante um estudo internacional de fase 3. O resultado chamou atenção da comunidade médica porque o medicamento conseguiu atingir uma mutação genética que, por décadas, foi considerada praticamente impossível de ser tratada.

O câncer de pâncreas costuma ser descoberto tarde, quando a doença já se espalhou pelo corpo. Em muitos casos, os pacientes tinham apenas a quimioterapia intravenosa como alternativa, com ganhos limitados de tempo de vida. No estudo realizado com cerca de 500 pacientes, aqueles que receberam o novo comprimido tiveram sobrevida mediana de 13,2 meses, contra 6,7 meses no grupo tratado com quimioterapia convencional. Segundo os pesquisadores, o risco de morte caiu cerca de 60% com o uso da nova droga.

O diferencial do daraxonrasib está na forma como ele atua. O medicamento bloqueia mutações da proteína RAS, presente em mais de 90% dos casos de câncer de pâncreas. Durante décadas, cientistas tentaram atingir essa proteína sem sucesso, já que ela era considerada “intratável” pela dificuldade de acesso dentro das células. Agora, pela primeira vez, uma droga conseguiu agir sobre várias mutações do RAS ao mesmo tempo, interrompendo o crescimento descontrolado do tumor. Além disso, o tratamento é feito por via oral, permitindo que o paciente tome o remédio em casa.

Apesar da empolgação, médicos fazem um alerta: o medicamento ainda não representa uma cura para o câncer de pâncreas. O estudo foi realizado em pacientes metastáticos que já haviam passado por outros tratamentos, e ainda não se sabe como a droga funcionaria em fases mais iniciais da doença. Nos Estados Unidos, o remédio já recebeu status especial da FDA para acelerar sua análise, mas no Brasil o acesso ainda depende de aprovação da Anvisa e pode enfrentar obstáculos financeiros. Mesmo assim, especialistas consideram o resultado um dos avanços mais importantes dos últimos anos no combate ao câncer de pâncreas.

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