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iFood acusa rival chinesa de espionagem corporativa e leva disputa bilionária à Justiça

Empresa brasileira afirma que funcionários foram pagos para repassar dados sigilosos sobre estratégia, investimentos e operação do aplicativo

20/05/2026 às 17h39
Por: Wagner Albuquerque
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Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

A disputa pelo mercado de delivery no Brasil ganhou um novo capítulo e agora chegou aos tribunais. O iFood entrou com uma ação na Justiça de São Paulo contra a Keeta e sua controladora chinesa, a gigante Meituan, acusando as empresas de praticarem concorrência desleal por meio de supostas ações de espionagem corporativa. A empresa brasileira pede indenização de R$ 1 milhão por danos morais e afirma ter reunido provas de que funcionários e ex funcionários foram procurados por consultorias estrangeiras para fornecer informações confidenciais sobre o negócio.

Segundo a ação, executivos ligados ao iFood teriam recebido propostas de pagamento em troca de dados estratégicos, como planos de investimento, indicadores financeiros, modelo logístico e relação com restaurantes parceiros. As abordagens teriam começado em março de 2025, principalmente pelo LinkedIn, e seguiam um padrão semelhante. Consultorias internacionais marcavam reuniões online remuneradas com colaboradores da empresa. Um dos casos citados envolve o ex funcionário Matheus Santana, que teria recebido R$ 5 mil por conversas com representantes ligados à consultoria China Insights Consultancy.

O iFood afirma que conseguiu ligar as reuniões diretamente à Meituan após uma ação judicial nos Estados Unidos contra a plataforma Zoom. Segundo a empresa, documentos entregues pela companhia mostraram que ao menos sete contas de e mail usadas nos encontros tinham domínio ligado à Meituan. A petição afirma ainda que os envolvidos usavam contas numeradas, sem identificação pessoal, numa suposta tentativa de ocultar a participação direta da empresa chinesa. Além da indenização, o iFood quer que a Justiça proíba novos contatos com funcionários e ex funcionários da companhia, sob pena de multa diária de R$ 100 mil.

Em nota, a Keeta negou qualquer irregularidade e afirmou que segue padrões rígidos de ética e proteção de dados. A empresa disse ainda que não contrata terceiros para obter informações sigilosas de concorrentes. A companhia também afirmou ser alvo de ataques semelhantes desde sua chegada ao Brasil e citou investigações da Polícia Civil sobre falsas abordagens feitas a restaurantes em Santos. A disputa acontece num momento de forte crescimento do setor de delivery no país, que movimentou R$ 79 bilhões em 2025 e se tornou alvo de gigantes chinesas interessadas no mercado brasileiro.

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