
O Grupo Mateus, uma das maiores redes varejistas do Brasil, iniciou um amplo processo de reestruturação que já resultou na demissão de cerca de 6,6 mil funcionários em estados do Norte e Nordeste. O Piauí está entre os mais afetados pela medida, ao lado de Maranhão, Pará, Ceará, Sergipe e Bahia. Os cortes representam aproximadamente 14% do quadro total de colaboradores da empresa.
Além das demissões, a companhia acelerou o fechamento de unidades consideradas pouco rentáveis, principalmente lojas ligadas aos segmentos de eletrodomésticos e varejo tradicional. Desde o início de 2025, ao menos 28 unidades foram encerradas, incluindo operações das bandeiras Eletro Mateus e Armazém Pet. Mesmo com as mudanças, o grupo ainda mantém mais de 300 lojas em funcionamento e 18 centros de distribuição pelo país.
Segundo executivos da empresa, a decisão faz parte de uma estratégia para aumentar a eficiência operacional em meio a um cenário econômico mais difícil. O setor supermercadista enfrenta queda no ritmo de consumo, juros elevados, aumento nos custos logísticos e disputa mais intensa com grandes redes atacadistas. Durante conversa com investidores, o fundador Ilson Mateus classificou os cortes como necessários para preservar a sustentabilidade financeira da companhia.
Apesar de registrar lucro bruto de R$ 2,15 bilhões no último balanço, com crescimento superior a 16%, o grupo optou por uma postura mais conservadora. Economistas alertam que o impacto social pode ser significativo, principalmente em cidades do interior do Piauí, onde a rede figura entre os principais empregadores privados. A redução no número de vagas deve afetar diretamente a renda das famílias e o comércio local.
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