Terão ainda a coragem e ousadia de tentar censurar? O clima mudou, e mudou bastante. Certo mesmo é que as iscas estão postas e, a qualquer momento, podem colocar um impeachment de ministro, com alto risco de ser aprovado. Crusoé: o emblema da verdade.
Crusoé completa oito anos neste mês. É um ano a mais do que o inquérito mais longo da história do Brasil, que marcou a existência da revista com uma espécie de emblema da verdade — uma condecoração pelos fatos pelos quais esta publicação foi punida por expor, sob a alegação de que eram mentiras. A revista foi a primeira vítima do inquérito das fake news, por meio do qual o Supremo Tribunal Federal (STF) censurou uma reportagem que apenas relatava uma investigação. A ordem partiu do ministro Alexandre de Moraes, por “claro abuso no conteúdo da matéria veiculada”.
Ao tentar evitar que a verdade circulasse na edição 50 de Crusoé, o STF apenas colaborou para celebrizar o hoje famigerado apelido “o amigo do amigo de meu pai”, com que o empreiteiro Marcelo Odebrecht se referia ao então advogado-geral da União, Dias Toffoli.
Nobre escritor, estamos querendo saber: qual é a capa da semana da revista Crusoé? Calma, muita calma nesta hora. Qual é a capa que reina? Sobre as derrotas. Eis a capa: REJEIÇÃO HISTÓRICA – Senado antecipa fim do governo ao recusar Messias, indicado de Lula ao STF (Supremo Tribunal Federal). Edição de número 418.
Mas vale ressaltar que esta revista foi alvo de censura em um passado não muito distante. A reportagem tratava de um pedido de esclarecimento feito pela Polícia Federal à Odebrecht, no âmbito da Operação Lava Jato, para saber a quem ele se referia pelo apelido. A investigação buscava elucidar suspeitas de favorecimento no leilão para a construção de usinas hidrelétricas no rio Madeira, no Amazonas.
Toffoli, que presidia o STF na época da censura, e Moraes, que foi designado pelo colega, sem sorteio, como relator do inquérito das fake news, apegaram-se ao fato de que a Procuradoria-Geral da República (PGR) negou ter sido comunicada sobre o surgimento do ex-advogado-geral de Lula na investigação para alegar que tudo na reportagem se tratava de mentira.
“Exmo. Sr. Ministro Alexandre de Moraes, permita-me o uso deste meio para uma formalização, haja vista estar fora do Brasil. Diante de mentiras e ataques e da nota ora divulgada pela PGR, que encaminho abaixo, requeiro a V. Exa. autorização para transformar em termo esta mensagem, bem como a devida apuração das mentiras recém-divulgadas por pessoas e sites ignóbeis que querem atingir as instituições brasileiras”…
Ainda tentarão censurar? Afinal, o que é a liberdade de expressão? A liberdade de expressão é um direito humano fundamental que garante a qualquer pessoa o direito de buscar, receber e compartilhar informações, opiniões e ideias sem medo de censura ou retaliação. Essencial para a democracia, ela abrange a fala, a escrita e os meios artísticos.
E a liberdade de imprensa? A liberdade de imprensa é o direito de jornalistas e cidadãos investigarem, publicarem e divulgarem informações e opiniões por meio de comunicação sem censura prévia, repressão ou interferência do Estado. É um pilar fundamental da democracia, garantindo o direito à informação e a fiscalização dos poderes.
Ainda tentarão censurar? A revista Crusoé está no “ar” e, depois de dois dias que demonstram que o Brasil finalmente está se reencontrando, dificilmente terão a ousadia e coragem de voltar a censurar. Cuidado. Podem estar acuados, mas sempre pensando nos próximos passos a serem dados. “Orai e vigiai”, dizem as Sagradas Escrituras.
Observação: o artigo tem conteúdo de matéria veiculada pela redação do site O Antagonista