
Teresina, a conhecida ‘Cidade Verde’, está vivenciando uma campanha eleitoral sem precedentes. Esta eleição não é apenas atípica, mas a mais eletrizante das últimas cinco décadas. O atual prefeito, que busca desesperadamente a reeleição, amarga números preocupantes nas pesquisas, figurando com míseros índices de um dígito. A verdadeira disputa está polarizada entre dois gigantes com trajetórias políticas completamente opostas.
De um lado, temos o médico e ex-prefeito Sílvio Mendes, que governou Teresina por duas vezes e construiu um legado sólido. Obras estruturantes como habitações populares, pontes, avenidas e hospitais são marcas registradas de suas gestões. Sílvio não apenas abriu ruas e urbanizou bairros, mas também elevou a cidade a um polo de referência em saúde e educação. Sua administração transformou vilas em bairros estruturados e consolidou equipamentos culturais importantes, como o Teatro João Paulo II e o Teatro do Boi. Sílvio é o candidato que carrega um histórico de realizações concretas.
Do outro lado, está Fábio Novo, jornalista e deputado estadual, o "eterno secretário de Cultura" do Piauí. Sua principal contribuição, até agora, foi a reforma do Teatro 4 de Setembro e do Clube dos Diários. Mas é em meio a escândalos e polêmicas que sua candidatura tropeça. Sob a sombra de investigações da Polícia Federal por irregularidades envolvendo verbas da Lei Aldir Blanc (resposta do Brasil ao impacto da COVID 19 no setor cultural) durante a pandemia, Fábio Novo enfrenta acusações de desvio de recursos destinados aos artistas e produtores culturais. Em vez de socorrer a classe cultural afetada, as verbas teriam sido desviadas para beneficiar um grupo seleto de pessoas. Esses escândalos mancham sua campanha e alimentam a desconfiança dos eleitores.
A batalha entre Mendes e Novo nas pesquisas de opinião é acirrada, mas há um claro favoritismo. Sílvio Mendes desponta com folga nas pesquisas mais respeitadas, enquanto Fábio Novo parece avançar apenas nas encomendadas por institutos financiados pelo governo. O impacto de investigações policiais, duas condenações judiciais e o rompimento público de Cristina Soares, filha do ex-prefeito Firmino Filho, abalaram profundamente a campanha de Novo, ampliando ainda mais a vantagem de Mendes.
Um fato curioso é a ausência física de Lula. Desde o início da campanha, Fábio Novo tem tentado colar sua imagem à do presidente e do governador Rafael Fonteles, mas as fotos e vídeos de apoio de Lula parecem ter surtido pouco efeito. Com o desgaste crescente do presidente, a cúpula do PT nacional teria freado o envolvimento direto de Lula na campanha, temendo associar seu nome a uma possível derrota em Teresina.
A estratégia de Novo, portanto, agora repousa nas mãos de Rafael Fonteles. O governador arregaçou as mangas e mergulhou de cabeça na campanha de seu aliado, mobilizando toda a máquina do governo estadual para tentar reverter o cenário. Secretários e agentes públicos estão envolvidos até o pescoço na tentativa de levar Fábio Novo ao segundo turno. E nesse esforço, alianças inimagináveis foram feitas – como diria a ex-presidente Dilma Rousseff, "a gente faz aliança até com o diabo". O problema é que, mesmo o "capiroto" não trabalha de graça, e as denúncias de concessões, e ‘pancadinhas’ feitas para conquistar apoios têm tornado o barco de Novo cada vez mais pesado, quase a ponto de afundar.
No entanto, a sensação nos bastidores é de que o barco já começou a fazer água. O entusiasmo da militância está em declínio, e figuras influentes estão abandonando o navio. Se Fábio Novo conseguir chegar ao segundo turno, será mais pelo esforço sobre-humano de Rafael Fonteles do que por mérito próprio. E se perder, o governador certamente será apontado como o responsável pelo fracasso.
No final das contas, o destino da eleição ainda é incerto. Como diz o ditado popular, "de cabeça de juiz, barriga de grávida e bunda de neném, ninguém sabe o que vai sair". As urnas têm suas surpresas, e só o tempo dirá se Teresina verá a volta de Sílvio Mendes ao Palácio da Cidade ou se Fábio Novo conseguirá, contra todas as expectativas, dar uma virada improvável. Até lá, a tensão só aumenta.
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