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Estagflação à Brasileira: o risco silencioso da política econômica no Governo Lula da Silva

Inflação resistente, crescimento instável e incertezas fiscais reacendem o temor de um cenário que combina perda de poder de compra, baixo dinamismo econômico e aumento da desconfiança no país

26/04/2026 às 08h00
Por: Arthur Feitosa
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Imagem gerada em parte, por inteligência artificial
Imagem gerada em parte, por inteligência artificial

Estagflação é um fenômeno econômico caracterizado pela combinação simultânea de inflação elevada, crescimento econômico fraco ou estagnado e desemprego persistente. Trata-se de um dos cenários mais adversos da macroeconomia, justamente porque os instrumentos tradicionais de política econômica tendem a produzir efeitos colaterais indesejados: estimular a economia pode agravar a inflação; conter a inflação pode aprofundar a estagnação.

O termo foi cunhado na década de 1960 pelo político britânico Iain Macleod e ganhou notoriedade nos anos 1970, durante a crise do petróleo, quando economias desenvolvidas enfrentaram exatamente essa combinação perversa. Nesse contexto, a trajetória recente da economia brasileira apresenta sinais que dialogam com esse conceito. Ainda que não se possa afirmar categoricamente um quadro consolidado de estagflação, há vetores preocupantes:

Inflação resiliente, especialmente em itens essenciais como alimentos e serviços, pressionando o custo de vida das famílias;
Crescimento econômico irregular, dependente de fatores conjunturais, como exportações de commodities, sem sustentação estrutural robusta; Fragilidade fiscal, com expansão de gastos públicos acima da capacidade de geração de receitas no longo prazo;
Incerteza regulatória e fiscal, que compromete o ambiente de investimentos e reduz a previsibilidade para o setor produtivo.
A combinação desses fatores cria um ambiente de baixa confiança, elemento central para decisões de investimento, consumo e geração de empregos.

A política econômica do atual governo tem sido marcada por uma estratégia que privilegia expansão fiscal como motor de crescimento. No entanto, sem contrapartidas claras em termos de aumento de produtividade, eficiência do gasto ou reformas estruturais, esse modelo tende a gerar distorções relevantes:

Pressão inflacionária indireta, via aumento da demanda agregada sem correspondente expansão da oferta;
Elevação do risco-país, com impacto sobre juros de longo prazo e custo de capital;
Dependência de receitas extraordinárias, que não se sustentam no tempo;
Desalinhamento entre política fiscal e monetária, obrigando o Banco Central a atuar de forma mais restritiva para conter expectativas inflacionárias.

Além disso, a tentativa de reverter âncoras fiscais anteriores, ainda que sob nova roupagem, levanta questionamentos sobre a credibilidade do arcabouço fiscal, um ativo intangível, porém crucial, em economias emergentes. Didaticamente, costuma-se dizer: Na inflação clássica, o dinheiro está no bolso, mas perde valor; Na recessão, o dinheiro mantém valor, mas desaparece do bolso; Na estagflação, ocorre o pior dos mundos: o dinheiro não vale nada e tampouco está disponível. É esse risco que começa a se insinuar no horizonte brasileiro não como fato consumado, mas como tendência que exige vigilância e correção de rota.

O debate econômico não pode ser reduzido a narrativas políticas ou disputas ideológicas. A consistência macroeconômica exige disciplina fiscal, previsibilidade institucional e compromisso com reformas estruturais. Ignorar sinais precoces de deterioração costuma custar caro. A história econômica no Brasil e no mundo, mostra que a estagflação não se instala de forma abrupta; ela se constrói gradualmente, a partir de decisões equivocadas ou adiadas.

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Sobre Arthur Feitosa - Executivo e articulista político do portal Gazeta Hora1
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