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Comportamento EDITORIAL

Em defesa de Leão XIV

Guerras não levam “a nada e nem a lugar” nenhum!

20/04/2026 às 12h56
Por: Josenildo Melo Fonte: Andrea Tornielli / Rádio Vaticano
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Foto: https://www.vaticannews.va/en.html
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Desde a tragédia causada pelos bombardeios atômicos sobre o Japão, em agosto de 1945, a Igreja tem refletido sobre o risco da autodestruição da humanidade. A Igreja Católica é uma instituição milenar e o Papa Leão XIV tem que continuar dispondo de liberdade suficiente para se pronunciar da forma que desejar.

O Papa Leão XIV prosseguiu na linha traçada pelo magistério de seus predecessores. Em 14 de junho de 2025, ao final da audiência jubilar, ele disse: “A situação no Irã e em Israel deteriorou-se seriamente e, neste momento delicado, desejo renovar com veemência meu apelo à responsabilidade e à razão. O compromisso de construir um mundo mais seguro, livre da ameaça nuclear, deve ser buscado por meio do encontro respeitoso e do diálogo sincero, para construir uma paz duradoura, fundada na justiça, na fraternidade e no bem comum. Ninguém deve jamais ameaçar a existência de outro.” 

Foto de Abertura do Editorial: Hiroshima destruída após o bombardeio atômico da cidade em 6 de agosto de 1945. Créditos da foto é do VaticanNews. Editorial disponível na Rádio Vaticano. Acesse e escute!

Pouco mais de um mês depois, em uma mensagem por ocasião do 80º aniversário dos bombardeios atômicos sobre Hiroshima e Nagasaki, ele escreveu: “A verdadeira paz exige a corajosa deposição das armas, especialmente daquelas que têm o poder de causar uma catástrofe indescritível. As armas nucleares ofendem nossa humanidade comum e, além disso, traem a dignidade da criação, cuja harmonia somos chamados a salvaguardar.” Em 6 de agosto, na audiência geral, recordando a hecatombe causada por armas nucleares no Japão, lançou este apelo: “Apesar da passagem dos anos, esses eventos trágicos constituem um alerta universal contra a devastação causada pelas guerras e, em particular, pelas armas nucleares. Espero que, no mundo contemporâneo, marcado por fortes tensões e conflitos sangrentos, a ilusória segurança baseada na ameaça de destruição mútua dê lugar aos instrumentos da justiça, à prática do diálogo e à confiança na fraternidade.”

O atual Sucessor de Pedro retomou o tema em sua Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2026, afirmando: “Na relação entre cidadãos e governos, a falha em se preparar adequadamente para a guerra, em reagir a ataques, em responder à violência pode levar à conclusão de que se trata de uma culpa. Muito além do princípio da legítima defesa, no âmbito político, essa lógica oposta é o aspecto mais atual de uma desestabilização planetária que se torna cada vez mais dramática e imprevisível a cada dia. Não é coincidência que os repetidos apelos para o aumento dos gastos militares e as decisões daí resultantes sejam apresentados por muitos governos com a justificativa do perigo que representam os outros. De fato, a força dissuasiva do poder, e a dissuasão nuclear em particular, incorporam a irracionalidade de uma relação entre povos baseada não na lei, na justiça e na confiança, mas no medo e no domínio da força.”

Ao final da audiência de 4 de fevereiro de 2026, Leão XIV declarou: “Amanhã expira o Tratado Novo START, assinado em 2010 pelos presidentes dos Estados Unidos e da Federação Russa, que representou um passo significativo para conter a proliferação de armas nucleares. Ao mesmo tempo em que renovo meu incentivo a todos os esforços construtivos em prol do desarmamento e da confiança mútua, dirijo um veemente convite a que não abandonem este instrumento sem buscar assegurar seu acompanhamento concreto e eficaz. A situação atual exige que façamos todo o possível para evitar uma nova corrida armamentista que ameace ainda mais a paz entre as nações. É mais urgente do que nunca substituir a lógica do medo e da desconfiança por uma ética compartilhada, capaz de orientar as escolhas para o bem comum e fazer da paz um patrimônio salvaguardado por todos.”

Por fim, em uma publicação na conta oficial Pontifex, em 5 de março de 2026, o Papa Leão escreveu: “Rezemos juntos para que as nações possam avançar rumo a um desarmamento efetivo, particularmente o desarmamento nuclear, e que os líderes mundiais escolham o caminho do diálogo e da diplomacia em vez da violência.”

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Sobre Josenildo Nascimento Melo é jornalista, estudou direito, é Bacharel em Serviço Social pelo ICF - Instituto Camillo Filho. É também licenciado em Filosofia pelo ICESPI - Instituto Católico de Estudos Superiores do Piauí.
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