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Piauí HISTÓRIA DO PIAUÍ

Wellington Dias e os “Rafa Boys” - A farsa permanente

Parte I - Da ruptura de 1994 à engenharia do poder (1994–2010)

15/04/2026 às 08h36 Atualizada em 15/04/2026 às 12h16
Por: Arthur Feitosa
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Imagem: Reprodução
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Política, no Piauí, nunca foi disputa de projetos. É, sobretudo, a arte de ocupar e preservar o poder. E, nesse jogo, prosperam não os mais vocacionados para a missão pública que a política requer, mas os mais habilidosos em manipular circunstâncias, narrativas e alianças.

O marco dessa ruptura moderna remonta às eleições de 1994, quando Mão Santa, subestimado pelas elites políticas tradicionais e rejeitado como candidato a vice na chapa que disputaria o governo do estado pela situação, migrou para o PMDB e, contra todas as probabilidades, impôs uma derrota histórica ao candidato governista Átila Lira. Sua vitória não foi apenas eleitoral, foi simbólica: quebrou o monopólio de poder das oligarquias que dominavam o estado.

Em 1998, Mão Santa, candidato à reeleição, enfrentou e venceu Hugo Napoleão, figura central da política nacional e ex-ministro da educação. Novamente, contra todas as previsões, venceu o mais importante líder político piauiense daquele momento. Seu estilo popular, que misturava gestos simples como tomar garapa de cana com pastel na praça Pedro II, com forte apelo simbólico, consolidou uma conexão direta com o eleitorado do estado.

Mas o sistema reagiu. Hugo Napoleão não aceitou a derrota nas urnas e partiu para os tribunais.

Finalmente, Mão Santa teve a cassação de seu mandato, articulada via Judiciário sob influência política, e essa decisão no tapetão marcou um dos episódios mais controversos da história recente do estado. Hugo Napoleão reassumiu o poder, inaugurando um precedente perigoso: a substituição da vontade popular por decisões de bastidores.

Esse episódio não enfraqueceu Mão Santa; ao contrário, o fortaleceu como um símbolo e vítima do sistema. É nesse ambiente que emerge Wellington Dias.

Em 2002, aproveitando o desgaste do grupo dominante e a comoção em torno de Mão Santa, Wellington reposiciona sua estratégia. Inicialmente inclinado à disputa de uma das duas cadeiras disponíveis para o Senado Federal, abandona essa disputa e entra na corrida pelo governo do estado. Apoiado por Mão Santa, candidato a senador, o resultado foi uma avassaladora vitória em primeiro turno contra Hugo Napoleão.

Ali, nas eleições de 2002, começa uma nova fase: não mais a ruptura, mas a construção metódica de hegemonia política que dura até hoje.
Wellington Dias implementa um modelo clássico de consolidação de poder: cooptação de lideranças políticas, distribuição estratégica de espaços no governo, neutralização sistemática da oposição, centralização das áreas-chave do governo, como as pastas da Fazenda, Saúde e Educação e, principalmente, a cooptação de quase a unanimidade dos meios de comunicação do estado.

O resultado foi um fenômeno raro, jamais alcançado por outro político no Piauí: governou o estado por quatro mandatos, intercalados com dois mandatos no Senado Federal, praticamente sem oposição estruturada. Das trinta cadeiras da Assembleia Legislativa do Estado, em média 80% (oitenta por cento) sempre estiveram comprometidas com esse projeto de poder.

No próximo domingo, continuaremos com a segunda parte dessa odisseia piauiense.

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