Domingo, 28 de Junho de 2026
28°

Tempo nublado

Teresina, PI

Saúde SAÚDE

Molécula “espelho” pode frear o câncer ao cortar energia das células doentes

Descoberta de pesquisadores europeus aponta estratégia mais seletiva e com menor impacto em tecidos saudáveis

24/03/2026 às 10h13 Atualizada em 26/03/2026 às 19h51
Por: Wagner Albuquerque
Compartilhe:
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Uma pesquisa conduzida por cientistas das universidades de Genebra e Marburg identificou uma molécula capaz de interferir diretamente no funcionamento de células cancerígenas sem atingir, de forma relevante, os tecidos saudáveis. O estudo, publicado na revista Nature Metabolism, analisou os efeitos da D-cisteína, uma forma rara do aminoácido cisteína, e revelou um mecanismo promissor no combate ao câncer.

A base da descoberta está no conceito de “moléculas espelho”. Embora tenham a mesma composição, essas estruturas possuem formatos diferentes, como as mãos direita e esquerda. No organismo humano, os aminoácidos costumam aparecer na forma “L”, que é reconhecida pelas células. Já a versão “D”, pouco utilizada pelo corpo, mostrou um comportamento inesperado: algumas células tumorais conseguem absorvê-la com mais facilidade, por meio de transportadores específicos em sua superfície.

Dentro da célula cancerígena, a D-cisteína bloqueia a ação de uma enzima essencial para a produção de energia, a NFS1, localizada na mitocôndria. Com isso, a célula perde capacidade de se sustentar e se multiplicar. Na prática, o tumor entra em um estado de “fome metabólica”, reduzindo seu crescimento. Testes em camundongos com câncer de mama agressivo mostraram desaceleração significativa do avanço da doença, sem sinais relevantes de toxicidade.

Apesar dos resultados animadores, especialistas alertam que o avanço até um tratamento disponível ainda é longo. A substância precisa passar por testes clínicos em humanos para avaliar segurança, dose e eficácia. A expectativa é que, se comprovada sua utilidade, a D-cisteína possa atuar como terapia complementar, ajudando a retardar a progressão do câncer e potencializando os efeitos de tratamentos já existentes.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários