
Mais de 20 navios carregados com cerca de um milhão de toneladas de fertilizantes estão retidos no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do comércio mundial. A interrupção do tráfego ocorre em meio à escalada da guerra no Oriente Médio, que envolve Irã, Israel e Estados Unidos. As informações foram divulgadas pelo jornal Nikkei Ásia com base em dados da empresa de análise logística Kpler.
As embarcações transportam insumos fundamentais para a produção agrícola, como ureia, enxofre e fosfatos. Segundo os dados citados pela publicação, nove navios carregam aproximadamente 463 mil toneladas de ureia, enquanto outros oito transportam cerca de 303 mil toneladas de enxofre. Há ainda navios com fosfatos e fertilizantes de composição não identificada. Parte significativa dessas cargas tem como destino países asiáticos.
Especialistas apontam que o fluxo marítimo na região deve permanecer limitado enquanto persistirem os riscos de segurança. De acordo com Akiyoshi Kawashima, da empresa japonesa Shippio, companhias de navegação tendem a agir com cautela antes de retomar operações normais na área, o que pode prolongar os impactos logísticos no comércio internacional.
O bloqueio preocupa o mercado global de fertilizantes, já que os países do Golfo são grandes produtores desses insumos, derivados principalmente do gás natural e do petróleo. Mais da metade do enxofre comercializado no mundo e cerca de 30% da ureia passam pelo Estreito de Ormuz. Com a interrupção da rota, cresce a expectativa de aumento nos custos de frete, encarecimento dos fertilizantes e, consequentemente, pressão sobre os custos da produção agrícola e da segurança alimentar.
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