
O número de brasileiros com contas atrasadas atingiu um novo recorde em 2026. Segundo dados da Serasa Experian, cerca de 81,2 milhões de adultos estavam inadimplentes em janeiro, o maior número já registrado no país. O índice acompanha um cenário de aumento do endividamento das famílias e de dificuldades financeiras que atingem principalmente a população em idade economicamente ativa.
Informações do Banco Central mostram que a inadimplência média chegou a 4,2% em janeiro deste ano, o maior nível desde o início da série histórica em 2011. No chamado crédito livre, quando bancos e clientes negociam diretamente as condições, o índice ultrapassa 5%. Desde o início do atual governo, mais de 11 milhões de brasileiros passaram a ter dificuldades para pagar suas dívidas.
O problema também atinge empresas. Dados da Serasa indicam que cerca de 8,9 milhões de empresas estavam negativadas no fim de 2025. Ao mesmo tempo, os pedidos de recuperação judicial cresceram e chegaram a 5.680 companhias, aumento de mais de 24% em relação ao ano anterior. Somente no último trimestre de 2025 foram registradas mais de 500 novas recuperações judiciais, com dívidas que somam cerca de R$ 40 bilhões.
Especialistas apontam que os juros elevados são um dos principais fatores por trás desse cenário. Em janeiro, a taxa média de crédito no país chegou a 32,8% ao ano, com custos ainda maiores para pessoas físicas. Analistas alertam que o quadro pode piorar caso fatores externos pressionem a economia, como a alta do petróleo provocada por conflitos internacionais, o que pode elevar a inflação e manter os juros elevados por mais tempo.
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