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Por que a China se conteve diante das ações dos EUA contra o Irã?

Pequim criticou duramente ação militar dos Estados Unidos contra aliados estratégicos, mas optou por posicionamento diplomático em vez de resposta forte.

05/03/2026 às 09h01 Atualizada em 06/03/2026 às 10h24
Por: Wagner Albuquerque
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Xi Jinping e Ali Khamenei em Teerã, 23 de janeiro de 2016. A China se tornou o principal parceiro do Irã, investindo em energia, infraestrutura e tecnologia, mesmo diante de sanções ocidentais - Foto: Khamenei.ir
Xi Jinping e Ali Khamenei em Teerã, 23 de janeiro de 2016. A China se tornou o principal parceiro do Irã, investindo em energia, infraestrutura e tecnologia, mesmo diante de sanções ocidentais - Foto: Khamenei.ir

Nos últimos dias, vimos algo que parece roteiro de filme de espionagem: os Estados Unidos derrubaram dois aliados próximos de Pequim em operações militares ousadas. Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, foi capturado em Caracas por forças especiais americanas e levado para Nova Iorque. Pouco depois, Ali Khamenei, líder supremo do Irã, morreu em um ataque aéreo combinado dos EUA e Israel no centro de Teerã.

Como observador da geopolítica, fiquei impressionado com a reação de Pequim: palavras duras, protestos formais, mas nenhuma ação concreta. A China condenou as operações como violações da soberania, reforçou seus laços com o Irã e falou em justiça, mas na prática apenas observou. Não houve sanções, movimentos militares ou retaliações diretas. É como se a retórica fosse forte, mas a política real tivesse limites claros.

O que está em jogo é pragmatismo. Para Xi Jinping, manter a estabilidade nas relações com os Estados Unidos parece pesar mais do que reagir à altura pelos seus aliados. Pequim precisa garantir a segurança de seus interesses econômicos, especialmente energia e comércio, e sabe que um confronto direto com Washington teria custo altíssimo. Além disso, qualquer escalada militar poderia atrapalhar negociações bilaterais que ainda estão em andamento.

Olhando por esse prisma, a China atua como uma amiga de ocasião: fala muito, mas assume poucos riscos. Mantém laços estratégicos com o Irã e a Venezuela, mas evita se comprometer quando os interesses principais estão em jogo. Para nós, analistas e jornalistas, é um lembrete de que, no tabuleiro global, discurso forte não significa ação forte – e que Pequim, apesar de toda a retórica, continua focada no que realmente importa: estabilidade e pragmatismo.

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Sobre Wagner Albuquerque é um jornalista multifacetado, com uma carreira marcada por passagens expressivas pela Band, onde atuou como editor, produtor, repórter e apresentador. Ao longo de sua trajetória, também esteve à frente da Direção de Jornalismo em diversos portais de destaque, sempre pautado pela ética e pela busca da informação de qualidade. Atualmente, é apresentador da TV Lupa1 e jornalista no portal Gazeta Hora1, onde se destaca pela credibilidade, visão analítica e compromisso com a relevância dos fatos que impactam o dia a dia do público.
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