
O regime do Irã nomeou Ahmad Vahidi como novo comandante da Guarda Revolucionária Islâmica após a morte de Mohammad Pakpour, atingido no sábado (28) durante ofensiva coordenada entre Estados Unidos e Israel. A operação também resultou na morte de 40 integrantes da cúpula do regime, entre eles o líder supremo Ali Khamenei.
Aos 67 anos, Vahidi assume o posto em meio à escalada militar no Oriente Médio. Ele é alvo de alerta vermelho da Interpol por suspeita de participação no atentado de 18 de julho de 1994 contra a AMIA, em Buenos Aires. O ataque deixou 85 mortos e mais de 300 feridos. À época, Vahidi comandava a Força Quds, unidade responsável por operações externas da Guarda Revolucionária. A Justiça argentina o aponta como um dos envolvidos no planejamento da ação.
O atentado à AMIA é considerado o mais letal da história argentina. A explosão destruiu a sede da entidade após a detonação de um furgão carregado com cerca de 300 quilos de explosivos, conduzido por um homem-bomba ligado ao Hezbollah. O caso segue como um dos episódios mais sensíveis nas relações entre Argentina e Irã.
Antes da nova nomeação, Vahidi ocupou cargos estratégicos no regime iraniano. Foi ministro da Defesa entre 2009 e 2013, no governo de Mahmoud Ahmadinejad, e ministro do Interior de 2021 a 2024. Também está sob sanções do Departamento do Tesouro dos EUA e da União Europeia. No comando da Guarda, terá sob sua influência o principal aparato militar e de inteligência responsável tanto pela defesa externa quanto pela repressão interna do regime.
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