
Um estudo internacional mostra que o brasileiro trabalha menos horas por semana do que a média global. Dados de 160 países indicam que, entre 2022 e 2023, trabalhadores no mundo dedicaram em média 42,7 horas semanais ao trabalho remunerado. No Brasil, a média ficou em 40,1 horas, considerando empregos formais e informais. O levantamento foi analisado pelo economista Daniel Duque, do FGV Ibre, com base em banco de dados organizado por pesquisadores ligados ao Banco Mundial e à Universidade da Califórnia em Berkeley.
Na comparação direta com outros países, o Brasil aparece no meio da tabela, mas cai para o terço inferior quando se considera o número de horas que seria esperado para seu nível de produtividade e perfil demográfico. Segundo Duque, os brasileiros estariam trabalhando cerca de 1 hora e 12 minutos a menos por semana do que o previsto por esse modelo. Para o economista, fatores culturais e a preferência por mais tempo de lazer podem ajudar a explicar a diferença.

O estudo também avaliou o impacto de impostos e transferências de renda, como aposentadorias e benefícios sociais. Mesmo após incluir esses fatores, o Brasil continuou abaixo do esperado, com jornada cerca de 1 hora e 18 minutos menor do que o projetado. Em outros países, como a Alemanha, a carga tributária ajuda a explicar jornadas menores, o que não ocorreu no caso brasileiro.
Especialistas afirmam que a escolha por trabalhar menos é legítima, mas tem consequências econômicas. Segundo os pesquisadores, menos horas trabalhadas tendem a resultar em menor renda per capita. O debate ganha relevância no momento em que se discute a redução da jornada semanal no país. Para os economistas, qualquer diminuição adicional no tempo médio de trabalho pode impactar o crescimento da renda se não vier acompanhada de ganhos significativos de produtividade.
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