
O governo do presidente Lula decidiu elevar o Imposto de Importação (II) sobre bens de capital e produtos de informática, criando um novo obstáculo para os investimentos privados em um cenário já marcado por juros elevados. A medida, anunciada em 5 de fevereiro e prevista no Orçamento Federal, vale para itens que possuem similar nacional e deve gerar ao menos R$ 14 bilhões em arrecadação extra para a União.
O aumento do tributo ocorre em um momento de desaceleração dos investimentos no país. Embora a formação de capital tenha crescido 6% no terceiro trimestre de 2025, dados mais recentes mostram perda de fôlego. Segundo o Monitor do PIB da FGV IBRE, a formação bruta de capital fixo avançou apenas 1,3% no trimestre móvel encerrado em novembro, o menor ritmo desde fevereiro de 2024. O segmento de máquinas e equipamentos, em especial, já acumula quatro trimestres seguidos de queda.
A equipe econômica defende que a recomposição das alíquotas busca proteger a indústria nacional e estimular a produção interna de máquinas e tecnologia. Entidades como Abimaq e CNI apoiam a medida, argumentando que o forte avanço das importações, que somaram US$ 39,2 bilhões em equipamentos industriais em 2024, vinha prejudicando fabricantes brasileiros. Dados do Ipea indicam que, entre janeiro e novembro, os investimentos em máquinas nacionais caíram 3%, enquanto os importados cresceram mais de 23%.
Por outro lado, economistas e agentes do mercado veem risco de impacto negativo sobre setores intensivos em capital, como indústria de transformação, infraestrutura, energia, agronegócio, mineração e telecomunicações. Com crédito caro e custos de importação maiores, a preocupação é que novos projetos sejam adiados. O desafio do governo será equilibrar a necessidade de arrecadação e proteção industrial com a manutenção do ritmo de investimentos, peça-chave para o crescimento econômico nos próximos anos.
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