
Dois brasileiros morreram recentemente na guerra da Ucrânia, em meio a relatos de promessas financeiras, dificuldades no exterior e denúncias graves dentro de unidades militares. Um dos casos é o do pernambucano Bruno Gabriel Leal da Silva, de 28 anos, que morreu no fim de dezembro de 2025, em Kiev. Segundo o jornal ucraniano Kyiv Independent, ele teria sido vítima de tortura dentro de um batalhão formado majoritariamente por brasileiros. Autoridades locais confirmaram a morte e abriram investigação, mas detalhes da autópsia não foram divulgados.
De acordo com ex-integrantes da unidade, Bruno ainda estava em fase de seleção e teria manifestado o desejo de voltar ao Brasil. Testemunhas afirmam que ele foi punido após retornar à base fora do horário permitido e que, depois de uma luta de boxe forçada, teria sido levado para um local conhecido como “container”, onde foi espancado. Soldados relataram ter ouvido gritos durante a madrugada. O corpo foi encontrado na manhã seguinte, com marcas de agressão.
Outro caso é o de Daniel Campos, de 32 anos, morador de Campinas (SP). Ele viajou para a Ucrânia em agosto e morreu em combate meses depois. Segundo a família, Daniel foi motivado pelo desejo de servir e pela promessa de um salário equivalente a R$ 25 mil por mês. No entanto, a esposa afirma que os valores não foram pagos integralmente. Daniel deixa dois filhos. A família tenta trazer o corpo de volta ao Brasil e relata dificuldades no processo de translado.
O Ministério das Relações Exteriores informou que presta assistência consular a brasileiros na Ucrânia, mas não pode impedir que cidadãos se voluntariem para lutar por outro país. Desde o início da guerra, iniciada em fevereiro de 2022 após a invasão russa, dezenas de brasileiros morreram ou estão desaparecidos. Enquanto isso, o conflito segue com intensos combates e discussões internacionais sobre possíveis acordos de paz.
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