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Brasil CAMPEÃ DO CARNAVAL

Viradouro Campeã: o tambor que regeu o Rio em 2026

Mestre Ciça vira enredo, e a Sapucaí vira altar

18/02/2026 às 20h59 Atualizada em 18/02/2026 às 21h02
Por: Douglas Ferreira
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Viradouro conquistou o coração dos jurados e do Brasil - Foto: Reprodução
Viradouro conquistou o coração dos jurados e do Brasil - Foto: Reprodução

O Carnaval de 2026 não foi apenas uma disputa de notas. Foi um manifesto ritmado. A Unidos do Viradouro sagrou-se campeã do Grupo Especial ao transformar a batida em biografia e a bateria em protagonista. Ao levar para a avenida a história de Moacyr da Silva Pinto, o lendário Mestre Ciça, a escola fez mais do que homenagear um nome: consagrou o pulso como patrimônio cultural vivo.

Na apuração realizada nesta quarta-feira (18/2), ficou claro que a vermelho e branco de Niterói não desfilou apenas para competir, desfilou para marcar posição. E marcou.

O enredo que tocou onde dói: na alma do samba

Escolher Mestre Ciça como samba-enredo foi um gesto simbólico e estratégico. Símbolo porque reconhece um mestre que atravessou décadas e escolas, da Estácio de Sá à Unidos da Tijuca, com seu auge consagrado na própria Unidos do Viradouro. Estratégia porque trouxe para o centro do espetáculo aquele que, muitas vezes, fica à frente da bateria, mas nos bastidores do protagonismo midiático.

Ciça não é apenas regente de ritmistas. É arquiteto de emoção coletiva. Sob seu comando, a Viradouro já havia conquistado os títulos de 2020 e 2024. Em 2026, a escola não apenas contou sua história, reafirmou sua identidade.

Técnica, emoção e precisão cirúrgica

Foram 54 jurados avaliando 12 escolas ao longo de três noites na Marquês de Sapucaí. Nove quesitos, cada um subdividido em critérios minuciosos, com notas que podiam definir o destino de um ano inteiro de trabalho.

A Viradouro mostrou força em todos:

  • Alegorias e Adereços impactantes

  • Harmonia coesa

  • Evolução fluida

  • Comissão de frente tecnicamente ousada

  • E, claro, uma Bateria que não apenas marcou o tempo, dominou o espetáculo

Num Carnaval cada vez mais tecnológico, cenográfico e competitivo, venceu quem soube equilibrar luxo e legado, espetáculo e substância.

Uma disputa de gigantes

O desfile de 2026 reuniu potências históricas como Portela, Estação Primeira de Mangueira, Beija-Flor de Nilópolis, Acadêmicos do Salgueiro e Imperatriz Leopoldinense. Não houve vitória por acaso. Houve vitória por excelência.

Cada escola levou sua narrativa, sua estética e sua estratégia. Mas a Viradouro apresentou algo raro: unidade. Do primeiro surdo ao último casal de mestre-sala e porta-bandeira, havia uma linha invisível costurando tudo, a cadência.

A provocação que fica

Ao transformar um mestre de bateria em enredo, a Viradouro lança uma pergunta incômoda: o Carnaval está pronto para valorizar seus construtores anônimos? Coreógrafos, ritmistas, ferreiros de alegoria, costureiras, quantos ainda esperam virar tema?

O título de 2026 não é apenas mais um troféu na quadra da escola. É um recado: tradição não é nostalgia. É estratégia de futuro.

No sábado (21/2), as campeãs voltam à Sapucaí para o desfile consagrador. Mas a verdade é que a Viradouro já desfilou na memória coletiva do samba. E ali, quando a bateria é soberana, não há jurado que retire ponto.

Afinal, quando o tambor fala alto, o Rio inteiro escuta.

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