
O avanço do narcotráfico em Teresina vem ganhando contornos alarmantes, envolvendo cada vez mais famílias inteiras na cadeia do crime, desde o consumo até a venda de drogas. A participação de mulheres no tráfico já não é novidade há pelo menos uma década, com muitas sendo utilizadas como ‘aviõezinhos’ ou ‘mulas’ no tráfico internacional. No entanto, o que surpreende agora é a crescente presença de famílias inteiras, incluindo mães e filhas, à frente de pontos de venda de drogas, as chamadas ‘bocas’.
Um exemplo recente dessa preocupante realidade ocorreu nesta quarta-feira (31), quando o Departamento Estadual de Repressão aos Narcóticos (DENARC) prendeu mãe e filha em uma operação no bairro Gurupi, na zona Sudeste de Teresina. Durante a ação, foi apreendida uma grande quantidade de drogas, incluindo crack, cocaína e skunk, uma forma potente da erva conhecida como “supermaconha”.
Skunk (também grafado como skank no Brasil) refere-se a variedades de Cannabis com um aroma mais forte e uma concentração elevada de substâncias psicoativas. O nome “skunk” vem da palavra em inglês para gambá, devido ao cheiro pungente. Essas variedades são obtidas através de cruzamentos entre diferentes espécies de Cannabis, como Cannabis sativa, Cannabis indica e Cannabis ruderalis, e são cultivadas em ambientes controlados para maximizar o teor de THC (tetra-hidrocanabinol), o principal composto psicoativo responsável pelos efeitos conhecidos como “brisa”.
O delegado Edvan Botelho, responsável pela operação, revelou que a residência onde as duas mulheres foram presas funcionava como uma ‘boca de fumo’. A polícia chegou ao local após denúncias anônimas e uma investigação prévia que resultou na emissão de mandados de busca e apreensão.
“Realizamos buscas em três residências na mesma rua, e na casa delas encontramos a maior parte do material apreendido, especialmente a supermaconha”, explicou o delegado.
A operação também revelou uma faceta ainda mais sombria da situação: havia crianças menores de idade no local, expostas ao comércio de entorpecentes. Isso não apenas reflete a degradação social causada pelo narcotráfico, mas também destaca como esse submundo destrói famílias, ao mesmo tempo em que alicia outras para perpetuar o ciclo do crime.
O caso ilustra a popularização do narcotráfico na periferia de Teresina, onde o crime organizado se infiltra cada vez mais nas estruturas familiares, utilizando-as como instrumentos para expandir suas operações. Essa dinâmica perversa não só desintegra o núcleo familiar, mas também perpetua um ciclo de violência e dependência que ameaça o futuro de toda uma geração.
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