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Brasil está uma podridão: escândalo do Banco Master leva CPMI a falar abertamente em impeachment de Dias Toffoli

Relator Alfredo Gaspar reage com indignação a revelações da Polícia Federal, acusa tráfico de influência e diz que Supremo vive “terremoto institucional”

12/02/2026 às 12h16 Atualizada em 12/02/2026 às 12h33
Por: Douglas Ferreira
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Alfredo Gaspar e ministro Dias Toffoli - Foto: Reprodução
Alfredo Gaspar e ministro Dias Toffoli - Foto: Reprodução

A crise envolvendo o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, atingiu um novo e explosivo patamar. Revelações recentes da Polícia Federal, no âmbito do escândalo bilionário do Banco Master, provocaram reação dura e sem rodeios do relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), que passou a defender abertamente o impeachment do magistrado.

A indignação do parlamentar veio à tona após a PF identificar mensagens no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, indicando pagamentos a uma empresa ligada a Toffoli. As informações reforçaram o pedido formal da Polícia Federal para que o ministro fosse declarado suspeito nos processos relacionados ao caso.

Para Alfredo Gaspar, o episódio escancara algo muito maior do que uma possível irregularidade isolada. “O Brasil não aguenta mais esse tráfico de influência. O Brasil está uma podridão”, disparou o deputado, classificando a situação como um verdadeiro “terremoto” no Supremo Tribunal Federal. Segundo ele, há indícios de que outros ministros também estejam envolvidos, o que agrava ainda mais a crise institucional.

O relator da CPMI lembrou que Dias Toffoli havia negado anteriormente o acesso da comissão aos dados telemáticos de Daniel Vorcaro, decisão que, à época, já havia sido duramente criticada pelo Parlamento. Agora, segundo Gaspar, os próprios dados que foram sonegados acabaram revelando uma relação não institucional e potencialmente comprometedora entre o ministro e o banqueiro.

Falta coragem cívica e independência para o combate à corrupção. Impeachment já!”, reforçou o deputado, elevando o tom e deixando claro que, em sua avaliação, a permanência de Toffoli no STF tornou-se insustentável.

Em entrevista ao Diário do Poder, Alfredo Gaspar foi ainda mais incisivo. Segundo ele, o ministro continuou praticando atos decisórios no caso Master mesmo tendo ciência de sua condição de suspeição ou impedimento, o que, na visão do parlamentar, agrava o quadro e compromete a credibilidade da Corte. “O documento enviado pela Polícia Federal ao STF é mais uma prova da incompatibilidade do ministro permanecer na Suprema Corte”, afirmou.

O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, após uma decisão técnica do órgão responsável por zelar pela estabilidade do sistema financeiro nacional. Mesmo assim, Toffoli atuou no STF questionando o processo de liquidação e promovendo medidas que, para críticos, beneficiariam indiretamente o controlador da instituição.

Nesta quinta-feira (12), diante da repercussão crescente, Dias Toffoli admitiu ser sócio da empresa Maridt Participações e confirmou ter recebido valores referentes à venda de cotas do resort Tayayá a um fundo ligado a Vorcaro. O ministro sustenta que a transação foi legal, anterior à sua atuação nos processos do Master e devidamente declarada à Receita Federal, classificando o pedido de suspeição da PF como baseado em “ilações”.

Apesar da defesa, o estrago político e institucional já está feito. O caso extrapolou o campo jurídico, contaminou o debate público e colocou o STF no centro de uma nova crise de confiança. A CPMI do INSS, agora munida de fatos novos, promete endurecer o discurso e ampliar a pressão por responsabilização.

O que antes era tratado nos bastidores como desconforto institucional, agora é verbalizado sem filtros no Congresso Nacional: há quem defenda que o escândalo do Master pode se tornar um divisor de águas na relação entre o Supremo, o Parlamento e a sociedade brasileira.

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