
A máxima latina homo homini lupus “o homem é o lobo do homem” atribuída ao dramaturgo romano Plauto e posteriormente consagrada por Thomas Hobbes no século XVII, permanece assustadoramente atual. A ideia central é simples e brutal: o maior inimigo do ser humano é o próprio ser humano. Na ausência de freios morais sólidos, instituições fortes e lideranças responsáveis, a natureza humana tende ao egoísmo, à violência simbólica ou real e à destruição do outro como meio de autopreservação ou ascensão.
No campo político, essa metáfora ganha contornos ainda mais claros. Governantes fracos na ação administrativa e egoístas na condução de suas trajetórias pessoais traduzem, com precisão, o espírito dessa máxima. Não governam para o bem comum, mas para a manutenção do poder, ainda que isso exija sacrificar instituições, reputações e o futuro coletivo.
No Brasil das últimas décadas, em especial no longo ciclo de governos petistas, esse comportamento tornou-se recorrente. As disputas pelo poder passaram a contaminar praticamente todas as esferas do Estado. Não se trata apenas da arena eleitoral, mas de um projeto de ocupação sistemática das engrenagens institucionais.
Isso se manifesta, por exemplo, nas indicações para compor colegiados do Poder Judiciário, nas listas tríplices para cargos como procurador-geral de Justiça e defensor público-geral, nas escolhas via quinto constitucional e, também, nas disputas internas dos próprios tribunais. O mesmo padrão se repete no Legislativo, tanto nas eleições populares quanto nas batalhas internas pelas presidências da Câmara e do Senado. Soma-se a isso uma infinidade de cargos federais, estaduais e autárquicos que seguem ritos semelhantes, sempre permeados por interesses políticos e alianças circunstanciais.
O que se observa, com desconfortável frequência, é que as escolhas nem sempre recaem sobre os mais preparados, mas sobre aqueles que demonstram maior capacidade de convencimento político. E é preciso deixar isso claro: convencimento não é sinônimo de competência. Muitas vezes, é apenas habilidade retórica, alinhamento ideológico ou submissão a projetos de poder.
Os efeitos desse modelo são visíveis. Estados e grandes centros urbanos passaram a conviver com gestões medíocres, planejamento de curto prazo e uma perigosa normalização do “nivelamento por baixo”. São Paulo, durante longos períodos após a era Mário Covas, deu sinais claros desse esgotamento administrativo, aproximando-se, em eficiência e dinamismo, de padrões muito aquém de sua relevância econômica e institucional.
É nesse contexto que a ascensão de Tarcísio Gomes de Freitas ganha significado político e simbólico. Engenheiro, técnico reconhecido, com sólida formação acadêmica e desempenho amplamente comprovado à frente do Ministério da Infraestrutura, Tarcísio representa uma ruptura com o modelo predominante. Sua gestão técnica, baseada em dados, planejamento e resultados concretos como concessões bem-sucedidas, ampliação da malha logística e destravamento de obras históricas, projetou-o naturalmente ao centro da política paulista.
Governar São Paulo, a maior economia estadual do país e a maior região metropolitana da América Latina, exige preparo, visão estratégica e coragem administrativa. E é exatamente isso que incomoda setores acostumados à política do compadrio e da mediocridade institucionalizada.
Daí decorre a política deliberada de destruição de imagem à qual o governador tem sido submetido. Ataques coordenados, narrativas distorcidas, tentativas de deslegitimação pessoal e profissional não são acidentais. São o método clássico de quem não consegue competir pelo mérito. Quando surge alguém cuja trajetória se impõe pelos resultados, resta aos adversários agir como lobos: atacar em grupo, corroer reputações, semear desconfiança.
Esse comportamento é ainda mais revelador quando parte de setores que se autointitulam “progressistas”, mas que, na prática, demonstram profunda intolerância à excelência fora de seus círculos ideológicos. Soma-se a isso o conhecido fogo amigo, ataques vindos de dentro do próprio espectro político, que revelam o quanto a política brasileira ainda é movida mais por vaidades e disputas pessoais do que por projetos de nação.
No fim, a máxima de Hobbes se confirma: não é a escassez de recursos, nem a falta de talentos que impede o avanço do país, mas a ação consciente de homens que, ao invés de construir, preferem destruir o outro para preservar seus próprios privilégios. O homem segue sendo o lobo do homem, sobretudo quando o poder está em jogo.
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