
A proposta de reduzir a jornada de trabalho da escala 6x1 para 5x2 voltou ao centro do debate no Congresso Nacional e acendeu um alerta entre economistas e representantes do setor produtivo. Levantamentos recentes indicam que a mudança, se feita sem redução proporcional de salários, pode gerar impactos negativos sobre o emprego, a produtividade e o crescimento da economia brasileira.
De acordo com estudo do Centro de Liderança Pública (CLP), a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas pode resultar na perda de até 640 mil postos de trabalho. O comércio aparece como o setor mais vulnerável, com queda estimada de 1,3% na produtividade, o que poderia eliminar cerca de 164 mil vagas. A construção civil e a agropecuária também seriam afetadas, com possíveis cortes de 45 mil e 28 mil empregos, respectivamente.
Especialistas afirmam que o principal problema está no aumento do custo do trabalho em um país que já convive com baixa produtividade. Para o economista-chefe da ARX, Gabriel Barros, manter os salários com menos horas trabalhadas tende a gerar um choque negativo na produtividade, com reflexos diretos no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Ele destaca que, sem ganhos estruturais de eficiência, a medida pode enfraquecer ainda mais a economia.
Os dados reforçam esse diagnóstico. Entre 2016 e 2025, a produtividade média anual no mundo cresceu cerca de 1,5%, enquanto no Brasil o avanço ficou abaixo de 0,5%, segundo a CEIC Data. Além disso, a indústria enfrenta escassez de mão de obra qualificada: levantamento da CNI mostra que esse problema saltou de 5% para 23% em cinco anos. Para lideranças empresariais, como Sérgio Longen, presidente da Fiems, qualquer mudança na escala de trabalho exige diálogo amplo e avaliação cuidadosa dos impactos, sob o risco de agravar desafios já conhecidos da economia nacional.
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