
Causa perplexidade ainda que já não surpreenda, o incômodo demonstrado por certos atores políticos diante de um gesto simples, humano e plenamente legítimo do governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas: a visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro. As críticas dirigidas ao governador não se sustentam em fundamentos institucionais ou republicanos, mas revelam ressentimento político e uma sanha vingativa que, perigosamente, começa a se confundir com o exercício circunstancial do poder na República.
Tarcísio Gomes de Freitas pertence a uma espécie rara no Brasil contemporâneo: a do político com caráter, fé, compromisso com a família e, sobretudo, competência administrativa. Em um ambiente historicamente marcado por gestores medíocres, cuja principal vocação tem sido a submissão a projetos de poder pessoal e o favorecimento de seus próprios círculos pessoais de amizade e principalmente familiares, Tarcísio se destaca como exceção. E exceções, como se sabe, incomodam.
Sim, Tarcísio é grato. Grato por reconhecer a oportunidade de ter deixado o anonimato ao qual tantos brasileiros competentes permanecem condenados, justamente porque competência e valores, para muitos, são vistos como ameaça e não como virtude. Em um país onde a ingratidão política se tornou regra, reconhecer quem abriu portas passou a ser tratado como heresia.
Tive a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente quando ele exercia o cargo de ministro da Infraestrutura, por ocasião do lançamento da pedra fundamental e do início das obras do Viaduto do Mercado do Peixe, em Teresina. Trata-se de uma obra estruturante para a mobilidade urbana da zona sudeste da capital piauiense, iniciada e concluída com celeridade, algo quase exótico dentro do padrão brasileiro de obras públicas.
À época, eu presidia o MOVE — Movimento Empreender Piauí e o então ministro nos concedeu a deferência de almoçar com o empresariado local. Naquele encontro, tornou-se evidente para todos os presentes que se tratava de um homem público de perfil distinto: afável, educado, paciente e, sobretudo, disposto a responder perguntas difíceis sem subterfúgios ou evasivas, prática infelizmente rara na política nacional.
Os relatos que chegam de São Paulo, especialmente daqueles que vivenciam o cotidiano da cidade, pessoas simples, cansados de promessas repetidas a cada eleição, motoristas de táxi, de aplicativos e usuários do transporte público, são eloquentes. Após décadas submetida à política pequena e à administração burocrática, São Paulo reencontra seu protagonismo e reafirma sua vocação de liderança econômica na América Latina.
É exatamente isso que parece incomodar seus críticos ocasionais. O Brasil está exausto de políticos aventureiros e oportunistas, que trocam de partido, de discurso e de alianças com a mesma facilidade com que se troca de roupa, muitas vezes, roupa suja.
Em contraste, Tarcísio demonstra algo que hoje soa quase revolucionário: lealdade e gratidão.
Gratidão por ter sido descoberto e alçado à vida pública por Bolsonaro, a quem milhões de brasileiros veem hoje como um preso político, não por crimes comprovados, mas pelo desejo de vingança de setores que hoje controlam, ainda que temporariamente, parcelas do poder estatal. Nesse contexto, ser grato não é crime; é virtude. E virtudes tornaram-se artigo raro na política brasileira.
Tarcísio Gomes de Freitas já se consolidou como um presente para o povo paulista. Que, no futuro, possa também se tornar um presente para o povo brasileiro.
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