
Nasci na cidade de Sobral, no apagar das luzes da década de 80, em 1989, pouco antes da queda do Muro de Berlim. E o meu Ceará, em particular, passava a se tornar cada vez mais vermelho. Não apenas na ideologia de esquerda, mas no sangue dos cearenses, que passou a escorrer pelas ruas ao longo dos anos, fruto de escolhas políticas equivocadas.
Saí de Sobral ainda nos anos 1990. A cidade era outra. Havia problemas, mas não se vivia sob medo constante. A violência não organizava a vida cotidiana. Após o ciclo mais liberal de Tasso Jereissati e Ciro Gomes e o governo fraco e sem marca de Lúcio Alcântara, o Ceará entrou, a partir de 2007, em uma nova era de poder.
2007 - O marco central da mudança política e do avanço da violência no Ceará
A mudança começa a se consolidar a partir de 2007, quando se inicia o ciclo político liderado por Cid Gomes, com apoio direto do PT, seguido por Camilo Santana e, hoje, Elmano de Freitas. São quase duas décadas de domínio da esquerda no estado, sem alternância real, sem autocrítica e sem correção de rumos.
Nesse período, o Ceará assistiu ao fortalecimento das facções criminosas, à perda progressiva de controle territorial e ao colapso da segurança pública. O discurso oficial insiste em políticas sociais, prevenção e estatísticas seletivas, enquanto a realidade mostra bairros dominados, famílias expulsas, comerciantes extorquidos e jovens assassinados. Em 2024, foram mais de 3.300 mortes violentas. Em 2025, quase 3 mil até novembro. Hoje, Sobral aparece entre as dez cidades mais violentas do país, ocupando a oitava posição, em um ranking no qual nove das dez primeiras estão no Nordeste.

A expansão do crime organizado ocorreu sob a complacência de governos que priorizaram narrativas ideológicas em vez de ações firmes. Três das cidades mais violentas do Brasil, Maranguape, Maracanaú e Caucaia estão no Ceará, todas sob administrações alinhadas ao mesmo projeto político. Facções como o Comando Vermelho avançaram, passaram a controlar serviços, impor taxas ilegais, dominar conjuntos habitacionais, expulsar moradores de conjuntos inteiros e usar o estado como rota do tráfico internacional, enquanto o poder público se limitava a discursos e propaganda.
O cenário atual não é resultado do acaso, nem apenas de fatores externos. É consequência direta de quase vinte anos de governos de esquerda que relativizaram a violência, enfraqueceram a autoridade do Estado e transformaram a segurança pública em tema secundário. O Nordeste concentra mais da metade das cidades mais violentas do país, e oito dos dez estados mais perigosos são governados por políticos desse campo ideológico. No Ceará, essa hegemonia produziu acomodação, ineficiência e tolerância ao caos.
Que o cearense reflita e tenha coragem de votar diferente nas próximas eleições. Democracia é alternância de poder, não domínio permanente de grupos políticos. Do jeito que está, temo que estejamos caminhando para um cenário irreversível, em que o Brasil se aproxima de um narcoestado, Ceará e o Nordeste, infelizmente, já dão sinais claros disso.
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