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Brasileiros colhem alimentos no gelo da Antártica pela primeira vez

Estufa criada com tecnologia nacional dribla frio extremo e leva comida fresca a pesquisadores

30/01/2026 às 14h55 Atualizada em 31/01/2026 às 14h40
Por: Wagner Albuquerque
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Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Em meio a temperaturas que chegam a −60 °C, pesquisadores brasileiros conseguiram algo inédito: cultivar alimentos frescos na Antártica. A experiência faz parte do Programa Antártico Brasileiro e foi liderada por Gabriel Estevam, diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Ambipar. Em uma estufa desenvolvida com tecnologia nacional, a equipe produziu mostarda, agrião, brócolis, alface, repolho e feijão em pleno continente gelado.

A ideia surgiu para melhorar a rotina dos cientistas em campo, que passam cerca de 25 dias na Antártica consumindo basicamente alimentos industrializados. Como o tempo é curto, a equipe apostou nos microverdes, plantas de ciclo rápido, que podem ser colhidas em até 12 dias. O projeto começou a ser desenvolvido em 2023 e recebeu investimento de aproximadamente R$ 600 mil, mesmo sem a possibilidade de simular, no Brasil, as condições extremas do local.

Os desafios começaram antes mesmo da chegada ao destino. A estufa enfrentou uma logística complexa, passando por navio, avião e até trenó. Já instalada, exigiu controle rigoroso de luz, temperatura e umidade. Para compensar o sol constante do verão antártico, foi criado um ciclo artificial de dia e noite. Dentro da estrutura, a temperatura ficou próxima de 25 °C, enquanto do lado de fora tudo congelava em minutos.

Até o cultivo precisou ser reinventado. Sem solo e sem possibilidade de descartar resíduos, o substrato foi feito com restos gerados pela própria equipe, como borra de café, papel e caixas de ovos. Em um dos momentos mais críticos, uma queda de energia quase comprometeu tudo, e uma vela foi usada para ajudar a manter o calor e o CO₂. Os resultados animaram os pesquisadores, que agora estudam ampliar o projeto. Para eles, a experiência coloca o Brasil na linha de frente da produção de alimentos em ambientes extremos e abre caminho para novas aplicações científicas no futuro.

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