
A Polícia Federal abriu nesta quarta-feira (28) um inquérito para investigar denúncias de que influenciadores digitais teriam sido procurados por representantes do Banco Master para atacar o Banco Central. A suspeita é de uma ação organizada nas redes sociais após a liquidação extrajudicial da instituição financeira, decretada em novembro do ano passado.
A liquidação ocorreu no contexto da primeira fase da Operação Compliance Zero, que resultou na prisão do banqueiro Daniel Vorcaro e teve como alvo integrantes da diretoria do banco, suspeitos de fraudes financeiras. Nesta semana, a Justiça deu início à fase de depoimentos dos investigados. A PF avalia se houve tentativa de pressão institucional para reverter decisões administrativas e judiciais.
A abertura do inquérito foi autorizada pelo ministro Dias Toffoli, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). Análises preliminares de publicações nas redes apontaram indícios de crimes e reforçaram a hipótese de uma ofensiva coordenada para colocar em dúvida a atuação do Banco Central, sob o argumento de que a liquidação teria sido “precipitada” ou tecnicamente equivocada.
Segundo a investigação, ao menos 46 perfis teriam sido acionados por uma agência ligada a campanhas do banco. Contratos revelados pela imprensa previam pagamentos que chegavam a R$ 2 milhões, com cláusulas de confidencialidade e multas altas por quebra de sigilo. A estratégia teria como alvo também a Febraban e buscava influenciar a opinião pública, associando a decisão do BC a motivações políticas, tese já descartada pelo Tribunal de Contas da União.
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