
O governo Lula 3 caminha, a passos largos, para consolidar uma marca indesejada: a normalização da corrupção. A cada semana, um novo episódio vem à tona, sempre com o mesmo roteiro, confusão entre o público e o privado, uso indevido de estruturas estatais e a sensação de que nada acontece, ninguém cai, ninguém responde. Desta vez, o foco é o Ministério do Turismo, que passa a integrar a extensa lista de pastas envolvidas em suspeitas graves de malversação do dinheiro público.
Com 38 ministérios, o governo Lula parece desafiar qualquer estatística razoável de integridade administrativa. Já se tornou difícil apontar qual pasta ainda não foi citada, direta ou indiretamente, em algum escândalo, por menor que seja. E esse é justamente o ponto mais alarmante: a banalização. Para o Planalto, tudo parece sempre “menor”, “pontual”, “administrável”. Mas não existe roubo pequeno quando o patrimônio lesado é o erário.
O caso que agora envolve o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano (União Brasil/PB), é emblemático. Documentos oficiais revelam que, às vésperas de assumir o cargo, ele transferiu três empresas, com capital social estimado em R$ 400 mil, para uma ex-assessora parlamentar, pessoa de confiança da família, com renda modesta, histórico de dívidas e sem perfil econômico compatível com a nova condição de empresária. O clássico expediente do “laranja”, amplamente conhecido nos manuais da corrupção brasileira, reaparece com contornos quase didáticos.
As empresas transferidas incluem uma instituição de ensino e duas construtoras, algumas delas com dívidas superiores a R$ 500 mil com a União, além de vínculos com repasses milionários de recursos públicos via programas federais, como o Fies. Há indícios robustos de que as companhias continuaram, na prática, sob controle do ministro, mantendo inclusive e-mails pessoais dele nos cadastros oficiais, mesmo após a suposta “venda”.
Mais grave ainda é o contexto político. Gustavo Feliciano não surge do nada. Ele integra um clã político profundamente enraizado na Paraíba, com familiares ocupando ou tendo ocupado cargos estratégicos no Executivo e no Legislativo. A “laranja” que assumiu as empresas não era apenas uma ex-assessora: atuava como representante legal da família em diferentes frentes, com procurações amplas e poderes administrativos. Nada disso parece casual.
Diante de um enredo tão explícito, a pergunta inevitável não é apenas sobre a conduta do ministro, mas sobre a postura do presidente da República. Lula sabia? Foi informado? E, se foi, por que nada fez? A repetição desse padrão, escândalo, revelação, silêncio, permanência — transmite uma mensagem clara: no governo Lula 3, a indignação não é prioridade.
Não se trata de um episódio isolado. Não estamos falando apenas do INSS, nem do programa Pé-de-Meia, tampouco de desvios em ministérios anteriores. O problema é estrutural. O que se observa é um governo incapaz, ou desinteressado, de impor limites éticos claros aos seus auxiliares. A consequência é devastadora: erosão da confiança pública, descrédito institucional e a percepção crescente de que a corrupção deixou de ser um desvio para se tornar parte do funcionamento do sistema.
Quando ministros não são afastados, quando explicações não são dadas e quando escândalos se acumulam sem consequências, o recado ao país é inequívoco. O Brasil não apenas convive com a corrupção, ele a administra. E, enquanto isso, o contribuinte paga a conta, mais uma vez, em silêncio.
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