
A exoneração da coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, e a saída em sequência de técnicos da área acenderam um sinal vermelho sobre a autonomia do instituto. O episódio ocorre a poucas semanas da divulgação do PIB e reforça críticas de que o governo Lula não mede consequências ao mexer em áreas técnicas sensíveis quando os números podem contrariar o discurso oficial.
Desde a demissão de Rebeca, ao menos quatro servidores ligados ao cálculo do PIB deixaram seus cargos. A direção do IBGE anunciou um substituto e prometeu uma transição “dialogada”, mas evitou explicar os motivos da exoneração. O silêncio só aumentou a desconfiança interna e externa, num momento em que qualquer ruído institucional pesa sobre a credibilidade dos dados econômicos.
A crise também expõe o desgaste entre os técnicos e o presidente do IBGE, Márcio Pochmann, indicado pelo governo. Desde 2024, o sindicato da categoria acusa a gestão de imprimir um viés político e midiático ao órgão. Para críticos, a troca de quadros experientes em um setor-chave reforça a percepção de que a técnica vem sendo empurrada para segundo plano.
Nos bastidores, cresce o temor de que a esquerda, historicamente confortável com o uso político do Estado, não tenha escrúpulos em pressionar estruturas técnicas quando isso favorece o governo. Não há prova de manipulação de dados, mas a instabilidade criada às vésperas do PIB mina a confiança no IBGE, um patrimônio institucional que sempre se sustentou pela credibilidade, não pela conveniência política.
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