
O Brasil voltou a bater recorde de feminicídios, com média de quatro mulheres assassinadas por dia, mesmo após anos de endurecimento da legislação e da criação de leis específicas para praticamente todo tipo de crime violento. Isso expõe um problema que vai além da letra fria da lei: não é por força legal que se muda uma cultura profundamente marcada pela violência e pela impunidade. O país já provou, repetidas vezes, que criar novas normas não tem sido suficiente para conter a barbárie.
O erro está na raiz do debate. Não existe vida mais valiosa que outra. Mulher, homem, criança, idoso, todos são inocentes e todos deveriam ter o mesmo valor jurídico e moral. Ao criar categorias de vítimas “mais protegidas”, o Estado acaba produzindo um efeito contrário: politiza a violência, fragmenta a sociedade e não resolve o problema central. Quem mata não o faz porque a vítima é mulher, mas porque vive em um país onde matar raramente gera punição proporcional.
A Lei Maria da Penha, assim como outras leis batizadas com nomes de vítimas, Carolina Dieckmann, Henry Borel, Daniella Perez, Joanna Maranhão, virou uma jabuticaba jurídica. Cada crime de grande repercussão vira um novo diploma legal, vendido como solução definitiva, enquanto os índices de violência seguem crescendo. Focar apenas em mecanismos legais de proteção é enxugar gelo num país onde o criminoso calcula o risco e sabe que dificilmente enfrentará uma punição exemplar.
O Brasil insiste em ignorar o essencial: leis ultrapassadas, penas brandas, ausência de responsabilização real de políticos corruptos e uma Justiça lenta alimentam a cultura da violência. Enquanto homicídios não resultarem em punições duras e inequívocas, salvo legítima defesa ou crime culposo, o ciclo continuará. Criar leis simbólicas dá a sensação de ação, rende discurso político e manchete, mas não salva vidas. E o resultado está aí: recordes sucessivos, famílias destruídas e um Estado que finge combater a violência enquanto convive com ela.
ELEIÇÕES 2026 Direita sinaliza união para enfrentar Lula nas eleições de 2026
ALERTA Cortes de Lula aumentam risco de falhas na aviação e acendem alerta para segurança dos voos
VAI PIORAR TUDO! Trabalhar menos pode custar mais: entenda o perigo escondido na PEC que acaba com a escala 6x1
Mín. 23° Máx. 32°