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Brasil DUPLO HOMICÍDIO

Saiba quem é o médico com histórico de violência doméstica que matou dois colegas a sangue frio em um restaurante

Investigação revela antecedentes de agressões, sinais ignorados e falhas no acompanhamento institucional antes do duplo homicídio que chocou o país

21/01/2026 às 08h36 Atualizada em 21/01/2026 às 15h31
Por: Douglas Ferreira
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Carlos Alberto Azevedo está preso - Foto: Reprodução
Carlos Alberto Azevedo está preso - Foto: Reprodução

A prisão de Carlos Alberto Azevedo Silva Filho, de 44 anos, acusado de assassinar dois colegas médicos em Barueri, na Grande São Paulo, trouxe à tona um perfil que vai muito além de um desentendimento pontual ou de um surto isolado. O que emerge das investigações, de depoimentos e de registros policiais é a trajetória de um homem marcado por episódios recorrentes de violência, sobretudo no ambiente familiar, e por conflitos que parecem escalar sempre para a agressão física.

Na noite do crime, na sexta-feira, 16, Carlos Alberto matou a tiros Luís Roberto Pellegrini Gomes, de 43 anos, e Vinicius dos Santos Oliveira, de 35, após uma discussão em um restaurante. Imagens de câmeras de segurança mostram que a tensão começou dentro do estabelecimento, com agressões físicas, e terminou do lado de fora, quando o médico retornou armado e efetuou os disparos. A cena não foi um ato impensado em segundos, mas uma sequência de decisões que culminaram em duplo homicídio.

A principal linha de investigação aponta que a motivação do crime está ligada a disputas contratuais no setor de gestão hospitalar. Carlos Alberto e Luís Roberto eram donos de empresas concorrentes que prestavam serviços médicos e disputavam contratos milionários. O conflito, portanto, não era apenas pessoal, mas atravessado por interesses econômicos, poder e rivalidade profissional. Ainda assim, a brutalidade da resposta chama atenção até mesmo em um ambiente historicamente competitivo como o da medicina empresarial.

O histórico pessoal do acusado agrava o quadro. Carlos Alberto acumula relatos de agressão doméstica, inclusive contra a ex-companheira, que obteve medida protetiva após ser ameaçada de morte. Em um episódio ocorrido no Guarujá, ele tentou agredir o próprio filho e acabou espancando a sobrinha com chutes e socos quando ela tentou intervir. Segundo a vítima, o médico estava embriagado e apresentava comportamento descontrolado. As agressões só cessaram após terceiros intervierem.

Em depoimentos anteriores, o próprio Carlos Alberto tentou minimizar os fatos, alegando discussões “por motivos fúteis” e afirmando ter apenas revidado agressões. O caso envolvendo a sobrinha acabou arquivado por falta de provas técnicas, como exame de corpo de delito, mas as fotos de hematomas e os relatos convergentes desenham um padrão de comportamento violento, não um episódio isolado. Arquivamento judicial, vale lembrar, não é sinônimo de inexistência dos fatos.

Diante desse histórico, a pergunta se impõe: trata-se de um psicopata? Especialistas costumam alertar que diagnósticos psiquiátricos não podem ser feitos sem avaliação clínica aprofundada. No entanto, características como impulsividade, ausência de empatia, agressividade recorrente e incapacidade de resolver conflitos sem violência aparecem de forma reiterada na trajetória do acusado. O fato de Carlos Alberto ter consciência dos atos, planejar ações e depois tentar justificá-las indica que ele compreendia o que fazia, o que afasta, ao menos em tese, a inimputabilidade penal automática.

Outro ponto central é o papel das instituições de controle profissional. O Conselho Regional de Medicina informou que acompanha o caso e poderá instaurar procedimento ético-disciplinar. Dependendo da apuração, o médico pode sofrer sanções que vão de advertência à cassação do registro profissional. A sociedade, porém, questiona por que um profissional com histórico de violência familiar continuou exercendo a medicina sem restrições aparentes.

A empresa ligada ao acusado tentou tratar o episódio como um “fato pessoal”, dissociando-o das atividades profissionais. A justificativa soa frágil. Quando um médico, responsável por decisões que envolvem vidas, demonstra reiteradamente incapacidade de controlar impulsos violentos, a fronteira entre o pessoal e o profissional deixa de existir. Ética médica não se restringe ao consultório; ela começa no caráter.

O duplo homicídio expõe uma falha sistêmica. Alertas foram dados antes, em forma de boletins de ocorrência, medidas protetivas e denúncias familiares. Nada disso foi suficiente para conter a escalada da violência. O resultado foi trágico: duas mortes, famílias destruídas e uma profissão novamente colocada sob escrutínio público.

No fim, o caso Carlos Alberto não é apenas sobre um crime brutal, mas sobre como sinais claros de perigo são ignorados até que o pior aconteça. É a história de um homem que confundiu autoridade com agressão, conflito com violência e poder com licença para destruir. E é também um alerta incômodo: quando instituições falham em agir preventivamente, a tragédia deixa de ser acaso e passa a ser consequência.

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