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Fundo ligado à família de Toffoli transfere quase R$ 34 milhões para offshore em paraíso fiscal

Movimentação envolveu valorização relâmpago de cotas e levanta questionamentos sobre destino do dinheiro

20/01/2026 às 14h39 Atualizada em 21/01/2026 às 14h37
Por: Wagner Albuquerque
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Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Um fundo de investimento ligado à família do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli transferiu R$ 33,9 milhões para uma offshore registrada nas Ilhas Virgens Britânicas, considerado um paraíso fiscal. A operação chamou atenção por envolver uma forte valorização das cotas em curto espaço de tempo e por não deixar claro quem são os beneficiários finais da empresa estrangeira.

O fundo Arleen, pertencente a irmãos de Toffoli, foi encerrado após repassar todo o seu patrimônio para a Egide I Holding, empresa aberta no exterior em março de 2025. A transferência ocorreu em duas etapas: em novembro, as cotas foram avaliadas em R$ 1,51; um mês depois, passaram a valer R$ 679,13 cada, uma alta de cerca de 450 vezes. Com isso, o valor total enviado à offshore saltou para quase R$ 34 milhões.

A operação tem semelhanças com esquemas investigados pela Polícia Federal envolvendo o Banco Master, nos quais ativos de baixo valor eram rapidamente supervalorizados. O fundo Arleen era administrado pela Reag Investimentos, empresa que entrou na mira das autoridades e teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central. Segundo investigações, a Reag atuaria em parceria com o Banco Master para inflar valores e dificultar o rastreio do dinheiro.

Parte dos recursos do fundo estava ligada ao resort Tayayá, no Paraná, empreendimento que teve participação de familiares de Toffoli e de pessoas ligadas ao Banco Master. Apesar das conexões e da valorização atípica das cotas, não há informações oficiais sobre quem se beneficiou financeiramente da operação. No STF, Toffoli é relator de processos relacionados ao Banco Master e tem sido alvo de críticas por decisões que, segundo opositores, reduzem o ritmo das investigações. A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro nega qualquer ligação irregular e afirma que o ministro não tem envolvimento com os fundos citados.

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