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China e Rússia não vão salvar o Irã

Apesar da aliança política, Pequim e Moscou evitam confronto direto com os EUA e priorizam interesses próprios

16/01/2026 às 09h20 Atualizada em 17/01/2026 às 09h53
Por: Wagner Albuquerque
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Imagem: Reprodução
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Há uma ilusão recorrente quando se fala de Irã, China e Rússia: a de que esse trio antiamericano funciona como uma aliança automática, pronta para ir à guerra se Washington apertar o botão. Não funciona. Nunca funcionou. E, se houver um novo ataque dos EUA ao regime iraniano, Pequim e Moscou vão reclamar, discursar, soltar notas duras e parar por aí.

A China é o melhor exemplo desse pragmatismo frio. Pequim compra petróleo iraniano, tem acordos estratégicos assinados, posa de parceira fiel, mas na hora do aperto prefere a cautela. Xi Jinping não vai trocar seus interesses globais, sua relação econômica com o Ocidente e seus projetos bilionários por uma aventura militar em defesa do regime dos aiatolás. O discurso chinês se limita ao protocolo diplomático: soberania, não intervenção e estabilidade. Tradução: problema do Irã.

A Rússia fala mais alto, mas faz menos. Vladimir Putin adora um tom apocalíptico sobre as “consequências desastrosas” de qualquer ação americana no Oriente Médio. Só que, na prática, Moscou está atolada na Ucrânia, gastando rios de dinheiro, homens e equipamento para sustentar uma guerra que já dura anos. Ajudar o Irã de forma concreta exigiria recursos que a Rússia simplesmente não tem sobrando.

Isso não quer dizer que Moscou e Teerã não sejam próximos. São. O Irã forneceu drones usados contra a Ucrânia, e os dois regimes se ajudam quando dá. Mas há uma diferença enorme entre cooperação pontual e entrar numa guerra aberta contra os Estados Unidos. Nesse cenário, o Irã vira claramente um problema secundário para o Kremlin.

No caso chinês, a lógica é ainda mais cínica e eficiente. A China ganha com um Irã enfraquecido: compra petróleo barato, mantém influência regional e evita assumir custos militares ou políticos. Além disso, um conflito maior no Oriente Médio colocaria em risco tudo o que Pequim mais preza ali: estabilidade, comércio e rotas estratégicas da Nova Rota da Seda.

No fim das contas, o discurso antiamericano une China, Rússia e Irã. Mas só até a página dois. Quando o risco vira real, cada um olha para o próprio umbigo. E o Irã, mais uma vez, descobre que aliados de ocasião não costumam ir até o fim, especialmente quando o preço é alto demais.

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Sobre Wagner Albuquerque é um jornalista multifacetado, com uma carreira marcada por passagens expressivas pela Band, onde atuou como editor, produtor, repórter e apresentador. Ao longo de sua trajetória, também esteve à frente da Direção de Jornalismo em diversos portais de destaque, sempre pautado pela ética e pela busca da informação de qualidade. Atualmente, é apresentador da TV Lupa1 e jornalista no portal Gazeta Hora1, onde se destaca pela credibilidade, visão analítica e compromisso com a relevância dos fatos que impactam o dia a dia do público.
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