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Piauí fora do jogo: Lula anuncia novo ministro da Justiça e frustra expectativa de mais um piauiense no governo

Planalto até cogitou um nome piauiense para a pasta, mas o presidente optou por um aliado histórico, reforçando o isolamento político do estado no núcleo duro do governo Lula 3.

14/01/2026 às 08h40
Por: Douglas Ferreira
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Wellington Lima e Silva (de gravata escura) e o ministro interino Manoel Carlos de Almeida Neto (de gravata clara) - Foto: Reprodução
Wellington Lima e Silva (de gravata escura) e o ministro interino Manoel Carlos de Almeida Neto (de gravata clara) - Foto: Reprodução

Lula pretere o Piauí e escolhe aliado para o Ministério da Justiça

Quem apostou que o Piauí poderia emplacar mais um ministro no já combalido Lula 3 terá de aguardar. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou nesta terça-feira (13) que o Ministério da Justiça e Segurança Pública já tem novo titular, e ele não vem do Nordeste piauiense. A escolha recaiu sobre um nome da confiança pessoal do presidente, aliado político e já integrado ao núcleo do governo.

O advogado-geral da Petrobras, Wellington César Lima e Silva, foi confirmado por Lula a aliados como novo ministro da Justiça. A nomeação deve ser oficializada nas próximas horas no Diário Oficial da União. Com isso, o presidente fecha rapidamente a vaga deixada por Ricardo Lewandowski, que deixou o cargo na última sexta-feira (9), alegando motivos pessoais e familiares.

“O convite aconteceu durante encontro no Palácio do Planalto, na tarde desta terça-feira, 13 de janeiro, com a presença do ministro interino Manoel Carlos de Almeida Neto”, informou o Palácio do Planalto em nota divulgada à imprensa.

“O convite foi formalizado durante reunião realizada na tarde desta terça-feira, 13 de janeiro, no Palácio do Planalto, com a participação do ministro interino Manoel Carlos de Almeida Neto”, informou o Palácio do Planalto em nota à imprensa.

A troca reforça um padrão já perceptível no atual mandato: Lula segue apostando em nomes do seu círculo mais próximo, com forte vínculo político e histórico de confiança pessoal, mesmo diante de um governo marcado por desgaste, instabilidade e sucessivas mudanças no primeiro escalão. Wellington será o terceiro ministro da Justiça do atual mandato. Antes dele, a pasta foi comandada por Flávio Dino, entre janeiro de 2023 e fevereiro de 2024.

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Com a nova nomeação, o governo Lula atinge a marca de 15 mudanças ministeriais desde o início da gestão, um número expressivo para pouco mais da metade do mandato. E o Planalto já admite que novas trocas devem ocorrer nos próximos meses, impulsionadas pelo calendário eleitoral e por pressões políticas internas.

A articulação que levou Wellington ao cargo passou longe do Piauí. A indicação foi costurada pela ala petista da Bahia, liderada por nomes de peso do governo, como Jaques Wagner, Rui Costa e Sidônio Palmeira. O movimento reforça o protagonismo baiano dentro do Palácio do Planalto e evidencia a perda de espaço político de outros estados do Nordeste na composição do núcleo duro do governo.

Wellington César Lima não é um estreante na Esplanada. Em 2016, durante o governo Dilma Rousseff, chegou a assumir interinamente o Ministério da Justiça, mas permaneceu apenas 11 dias no cargo. À época, o Supremo Tribunal Federal considerou incompatível o exercício simultâneo da função com sua atuação como procurador do Ministério Público da Bahia. Mais recentemente, entre 2023 e 2024, comandou a Secretaria Especial de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, órgão estratégico na engrenagem do Executivo federal.

A escolha do novo ministro ocorre em um momento sensível para a área de Justiça e Segurança Pública, marcada por críticas à condução do combate ao crime organizado, tensões institucionais e questionamentos sobre o papel do governo federal no enfrentamento da violência e da corrupção. Ao optar por um aliado histórico, Lula sinaliza menos renovação e mais continuidade política, ainda que isso frustre expectativas regionais e aprofunde a percepção de um governo cada vez mais fechado em seu próprio círculo.

Para o Piauí, resta a constatação amarga: mais uma vez, a expectativa ficou no discurso. O espaço no primeiro escalão não veio. E, pelo ritmo das escolhas, pode não vir tão cedo.

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