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Brasil OPINIÃO

Wagner e Fernanda: ótimos atores, péssimos brasileiros

Premiados no exterior, desconectados do Brasil que financia o espetáculo

12/01/2026 às 10h46 Atualizada em 13/01/2026 às 15h31
Por: Wagner Albuquerque
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Imagem gerada por Inteligência Artificial
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Enquanto o Brasil afunda em problemas reais, (INSS e Banco Master) a elite cultural brasileira comemora, vibra, enche o bolso, mora fora, fala inglês e recebe aplauso internacional. O filme O Agente Secreto não usou Lei Rouanet, isso é fato, mas foi financiado com dinheiro público via Fundo Setorial do Audiovisual (FSA/Ancine), além de incentivos estrangeiros e aportes privados. Tudo dentro da lei. Legal, sim. Agora, moral? Aí é outra conversa.

O orçamento passou de R$ 27 milhões, com R$ 7,5 milhões do governo federal, dinheiro que sai de fundos alimentados por taxas e contribuições que, no fim do dia, pesam no bolso da população. Não é roubo, não é ilegal, mas acontece num país que não entrega o básico: metade do Brasil sem saneamento básico, violência batendo recorde atrás de recorde, gente morrendo na fila do SUS, criança indo pra escola com fome, descalça, estudando em prédio caindo aos pedaços, verdadeiros barracos se comparados a escolas dos Estados Unidos ou da Europa.

Nesse contexto, soa ofensivo ouvir frase de efeito como a do ator Wagner Moura: “Não dá pra explicar a Lei Rouanet para quem ainda não assimilou a Lei Áurea.” Não é debate, é deboche. Não esclarece nada e ainda tenta transformar crítica a gasto público em falha moral do outro. O problema nunca foi entender leis. É entender prioridades. O erro é transformar qualquer questionamento em ataque moral, chamar crítico de ignorante e vender a ideia de que só existe ignorância do outro lado. O problema não é o filme. O problema é usar discurso ideológico pra blindar debate sério sobre dinheiro público

No fim das contas, o cinema vira vitrine ideológica. Premiação, discurso político (e eles sempre citam o ex-presidente Jair Bolsonaro), aplauso da imprensa internacional e silêncio sobre o Brasil real. Pode ser arte, pode ter mérito técnico, mas não dá pra fingir que não existe um lado feio nisso tudo. É propaganda política bancada com dinheiro público, num país onde o povo não tem palco, não tem estatueta e muito menos final feliz.

Atriz Fernanda Torres participa de ato organizado pela esquerda contra a anistia — Foto: Reprodução
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Sobre Wagner Albuquerque é um jornalista multifacetado, com uma carreira marcada por passagens expressivas pela Band, onde atuou como editor, produtor, repórter e apresentador. Ao longo de sua trajetória, também esteve à frente da Direção de Jornalismo em diversos portais de destaque, sempre pautado pela ética e pela busca da informação de qualidade. Atualmente, é apresentador da TV Lupa1 e jornalista no portal Gazeta Hora1, onde se destaca pela credibilidade, visão analítica e compromisso com a relevância dos fatos que impactam o dia a dia do público.
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