
Órgãos técnicos do governo e do Congresso acenderam o sinal vermelho para a política fiscal do país. Relatórios da Instituição Fiscal Independente (IFI) e do Ipea apontam que o modelo adotado no governo Lula não se sustenta. A tentativa de ampliar gastos e manter responsabilidade fiscal fracassou. O novo arcabouço perdeu credibilidade, e a dívida pública segue em trajetória de alta, enquanto o governo continua gastando mais do que arrecada.
Os números mostram a gravidade do cenário. A dívida já se aproxima de 80% do PIB e pode ultrapassar 117% até 2035. A carga tributária atingiu nível recorde, acima de 35% do PIB, sem conseguir estancar os déficits. Despesas obrigatórias, como Previdência, benefícios sociais e salários, crescem acima do limite legal e reduzem o espaço para investimentos. Para conter a inflação alimentada pelo descontrole fiscal, o Banco Central mantém juros elevados, o que retroalimenta o problema.
Especialistas apontam três fatores centrais. Um arcabouço fiscal cheio de exceções, um orçamento cada vez mais engessado e a expansão de programas como Bolsa Família e BPC, atrelados ao salário mínimo. Soma-se a isso o envelhecimento da população, que pressiona ainda mais os gastos. A saída escolhida pelo governo Lula foi elevar a arrecadação, mas o espaço para novos impostos praticamente se esgotou, gerando resistência no Congresso e na sociedade.
Com 2026 no horizonte, o risco fiscal aumenta. O ano eleitoral dificulta cortes de gastos e trava reformas. Sem um plano crível para conter a dívida, cresce o temor de dominância fiscal, quando a dívida sai do controle e os juros perdem força para segurar a inflação. O alerta está dado. Sem ajuste firme agora, o custo virá depois e será bem mais alto.
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