
O 8 de janeiro de 2023 vem sendo tratado pela esquerda como uma tentativa de golpe histórico. Mas, fora da bolha oficial, o que houve foi uma arruaça desorganizada, sem comando, sem armas e sem qualquer plano real de poder. Ninguém estava com medo naquele dia, nem autoridades, nem ministros, nem o próprio STF. A ausência de pânico diz mais do que mil discursos sobre “ameaça à democracia”.
Manifestantes foram a Brasília num domingo, com prédios vazios, algo sabido pelas forças de segurança dias antes. Ainda assim, a proteção foi deliberadamente afrouxada, portas foram abertas e a confusão foi permitida. O resultado foi um quebra-quebra limitado, muito menor do que ações históricas da esquerda, como invasões do MST, ataques de black blocs e depredações de sindicatos, episódios que nunca receberam o mesmo peso institucional.
O episódio virou uma cortina de fumaça perfeita. Enquanto o país discutia o “golpe”, saíam do foco a destruição econômica, o aparelhamento das estatais, escândalos envolvendo o INSS, blindagens políticas em CPIs e denúncias que cercam figuras centrais do governo. O 8 de janeiro passou a servir mais à narrativa do poder do que à busca pela verdade.

A CPMI escancarou isso. Primeiro, o governo dizia que não era necessária. Depois de garantir o controle da presidência e da relatoria, passou a tratá-la como “defesa da democracia”. O ponto central, as imagens do Ministério da Justiça simplesmente sumiu. Flávio Dino condicionou a entrega à autorização de Alexandre de Moraes; quando o prazo chegou, as imagens “haviam sido apagadas”. A farsa estava consolidada.
Com a narrativa pronta, vieram as condenações genéricas. Não houve individualização de condutas. Quem quebrou patrimônio foi tratado igual a quem apenas estava presente ou tentava se proteger do caos. Ignoraram fatos básicos: Bolsonaro estava fora do país, o comando das Forças Armadas foi entregue dentro da lei, o general responsável pela segurança serviu água a manifestantes e até vendedor de algodão-doce circulava no local. É esse o “golpe armado”?
O 8 de janeiro não foi um ataque à democracia; foi um pretexto. Pretexto para ampliar poderes do STF, aprofundar a censura, criminalizar a oposição e reescrever a história. Como já alertava Marx, a história se repete: primeiro como tragédia, depois como farsa. No Brasil, a farsa ganhou data, nome e narrativa, talvez por isso mereça ser lembrada não como 8 de janeiro, mas como um grande 1º de abril político.
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