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Brasil CRISE DE ENTREGA

GOVERNO LULA: muito marketing pouca entrega

O governo que tenta se vender como Armazém Paraíba, mas não tem produto na prateleira

06/01/2026 às 05h04
Por: Douglas Ferreira
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Presidente Lula investiu R$ 130 milhões em publicidade digital em 2025 - Foto: Reprodução
Presidente Lula investiu R$ 130 milhões em publicidade digital em 2025 - Foto: Reprodução

Hoje, até o empreendedor mais medíocre sabe que precisa investir em publicidade. Afinal, a propaganda é, foi e sempre será a alma do negócio. Mas há uma diferença abissal entre anunciar bem aquilo que se entrega e gastar fortunas tentando vender o que não existe. Essa diferença foi compreendida como poucos pelo maior empreendedor que o Piauí já conheceu, João Claudino Fernandes.

Seu João construiu um império apoiado numa publicidade ostensiva, criativa e, sobretudo, honesta. O nome dos Armazéns Paraíba estava em todo lugar, do centro da cidade ao muro de cemitério. Quem ligava o rádio ouvia o slogan que virou bordão popular, “Paraíba, sucesso em qualquer lugar”. E era mesmo.

As bolas jogadas de avião pelo Grupo Claudino viraram lenda urbana e memória afetiva. A garotada corria, pulava muro de vizinho, mas chegava em casa com a bola debaixo do braço. Mais do que a bola, levava a marca do Paraíba. O carro de som fazia o resto. Quando a TV Rádio Clube inaugurou, não foi surpresa que um dos primeiros anunciantes fosse o Armazém Paraíba. Seu João entendia como poucos o poder midiático nos negócios. Ele próprio era garoto propaganda do grupo. Patrocinava até campeonato de futebol nas coroas do Rio Parnaíba. Publicidade com propósito e retorno.

Na administração pública, a publicidade também tem função semelhante. Está, inclusive, na Constituição Federal. Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade e Eficiência formam a conhecida LIMPE, que qualquer gestor ou advogado tem obrigação de conhecer. O problema nunca foi anunciar. O problema é anunciar sem ter o que mostrar.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sabe disso. Tanto sabe que, apenas em 2025, gastou R$ 130 milhões em publicidade digital. Somente na internet. Um valor que assustaria até Seu João, se fosse vivo, que investia pesado, mas com critério, planejamento e foco em resultado. O governo, ao contrário, gasta como se não houvesse amanhã, beirando a irresponsabilidade e, em muitos momentos, o desespero.

O mais irônico é que muitas campanhas constroem, a duras penas, pela manhã uma imagem que o próprio presidente destrói à tarde, num piscar de olhos, com declarações atravessadas e decisões mal explicadas. Marketing nenhum sobrevive a isso. Quem entende do riscado sabe, marketing é um santo remédio, ajuda, ameniza, mas não faz milagre.

O governo Lula prometeu muito e entrega pouco, quando entrega. E aí a fórmula de sucesso do Seu João e do Paraíba não funciona. Porque Seu João tinha produto, preço, logística e confiança do consumidor. O governo não tem entrega perceptível.

No Brasil do Lula 3, a educação vai mal, a saúde vai mal, o emprego vai mal e a segurança pública vai mal. Por mais que o marketing tente vender esforço, números e intenções, o povo não sente. A percepção popular é de abandono. Pegue uma família comum do Nordeste. O filho não aprende na escola, no posto de saúde não há atendimento ou medicamento, o jovem adulto está desempregado e, ao sair de casa, a família corre risco de assalto. Nenhuma campanha publicitária convence alguém que vive isso no dia a dia.

O Bolsa Família ajuda, claro que ajuda. Mas já não supre as necessidades. Está tudo caro. E a carestia não pesa apenas no bolso, pesa na consciência. Quando falta comida na mesa, alguém é responsabilizado. E a conta cai no colo do governo.

Os números confirmam o excesso. Desde o início do mandato, o governo Lula já gastou R$ 219 milhões em publicidade digital, mais que o dobro do que foi gasto durante toda a gestão de Jair Bolsonaro, que somou R$ 93 milhões em quatro anos. A maior fatia ficou com gigantes como Google e Meta, além de outras plataformas e grandes grupos de mídia.

Segundo a Secom, a estratégia é aproximar o governo do cidadão. Mas comunicação sem entrega vira ruído. E propaganda sem resultado vira desperdício.

Seu João anunciava porque entregava. O governo anuncia porque precisa explicar por que não entrega. Eis a diferença. Publicidade pode vender geladeira, loja e até sonho. Mas não vende governo sem resultado. E nisso, nem R$ 130 milhões resolvem.

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