
O ministro Wellington Dias afirmou (veja o vídeo no final da matéria) que os Estados Unidos são “um dos países que mais cresceram em pobreza nos últimos anos”. Fala bonita para militância, mas colide de frente com os números, com a realidade. O Brasil segue com uma taxa de pobreza geral entre 23% e 27%. Os EUA estão entre 11% e 12% (Brasil tem o dobro). Na pobreza extrema, o contraste é mais constrangedor ainda: 3,5% a 5,8% no Brasil contra aproximadamente 0,2% nos EUA (29 vezes mais pessoas na extrema pobreza no Brasil em relação aos Estados Unidos). Com esses dados na mesa, o discurso do ministro não é exagero, é desconectado da realidade.
Quando se olha renda, o constrangimento fica maior ainda. A renda per capita anual brasileira está na faixa de US$ 10.800. A americana passa de US$ 83.000. A linha de pobreza já mostra o abismo: algo próximo de R$ 692 (US$ 125 dólares) por mês por pessoa no Brasil, contra cerca de US$ 15.060 ao ano (por volta de US$ 1.250 por mês) nos EUA, uma renda 10 vezes maior que no Brasil. Com a régua americana aplicada aqui, grande parte do Brasil seria pobre. Ou seja: enquanto Wellington Dias aponta o dedo para os irmãos do norte, os números gritam sobre a nossa própria casa.
E aí vem o ponto que ele evita: falar de onde governou. O Piauí, estado que Wellington Dias comandou por anos, continua entre os mais pobres do país, com índices vergonhosos de renda e falta do básico como saneamento. Em vez de resolver esgoto a céu aberto, água tratada e infraestrutura mínima para seu próprio estado, o ministro prefere discursar sobre a pobreza… dos Estados Unidos. Comparar realidades tão diferentes sem olhar o quintal que ele mesmo administrou não é só retórica fraca, é fuga de responsabilidade.
Sim, os EUA têm problemas sérios de custo de vida e moradia. Mas transformar isso em narrativa de “um dos países que mais cresceram em pobreza” enquanto o Brasil segue com pobreza alta e estados sob sua gestão patinando é forçar a barra. Dura e simples: Wellington Dias erra nos dados e erra no alvo. Antes de condenar a pobreza americana em discurso, seria mais honesto encarar a pobreza brasileira, especialmente a do Piauí, que ele governou por anos e onde o básico ainda falta.
PS: Eu até sugiro que o ministro converse com Lula para tentar fechar as fronteiras. Com o aumento da pobreza nos Estados Unidos, é bem possível que norte-americanos passem a fugir para o Brasil, onde a fome e a pobreza vêm caindo. É sério.
Confira o ministro falando a respeito da pobreza dos Estados Unidos:
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