
Rafael Fonteles fez uma escolha simples e reveladora: não escreveu uma linha própria sobre a captura de Nicolás Maduro e a ação dos Estados Unidos na Venezuela. Preferiu apenas compartilhar o posicionamento de Lula. Não é desatenção nem acaso, é estratégia. Enquanto o governador do Ceará, Elmano de Freitas, falou com voz própria e criticou o ataque, Rafael terceirizou a fala. Em política, silêncio também comunica.
Há alguns motivos na mesa. Ano eleitoral, ambiente polarizado e um tema radioativo. As eleições de 2026 prometem ser pesadas para ele: a disputa deve ser com Joel Rodrigues, aliado de confiança de Ciro Nogueira, que já comemorou a queda de Maduro. Dar uma frase errada agora vira munição pronta na campanha. Rafael Fonteles mantém o alinhamento institucional com Lula, condena intervenção estrangeira, mas evita colar a própria imagem em Maduro e entregar discurso de graça ao adversário.
Há ainda algo interessante: a realidade nas ruas. O Governador do Piauí, ele vê de perto o impacto da crise venezuelana, com imigrantes em situação de vulnerabilidade em Teresina e no interior. Não seria absurdo supor que enxergue Maduro como autoritário e, ao mesmo tempo, rejeite a intervenção militar dos EUA. Só que transformar isso em post é outro jogo. Rafael Fonteles escolheu o caminho mais pragmático: condena a operação sem se expor além do necessário, porque sabe que, em 2026, cada palavra vai ser explorada no talo.


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