Vatican News
Esta festa nos fala da abertura do Reino de Deus, da abertura de suas portas de par em par, para acolher todos aqueles homens que possuem os sentimentos de paz, que buscam fazer o bem e evitar o mal. Ou seja, Deus acolhe em sua casa todos os homens de boa vontade. É o redimensionamento da História da Salvação, ou melhor, é a plenificação de seus objetivos. (No Brasil, essa Solenidade — que a Igreja festeja no dia 6 de janeiro — é antecipada para este domingo, 4 de janeiro).
Se antes Deus possuía um povo, o Povo de Israel, agora o Senhor torna público, de modo absoluto, o seu amor pelo homem. No presépio, tivemos representando Israel, os pastores. Agora, representando toda a humanidade, temos os Magos. Portanto, a festa da Epifania celebra a manifestação do Amor de Deus a todos os homens, não apenas ao povo da Antiga Aliança, mas a todos os povos de todos os tempos!
Isso também vale para nós, cristãos. Não somos donos do Amor do Senhor, mas temos a grata, a sublime missão de anunciá-lo a todos os homens. Não somos nós, os batizados em nome da Trindade, e nem os filhos da Antiga Aliança, os únicos chamados ao banquete celestial, mas todos aqueles que buscam a verdade, que são tementes a Deus, que fazem o bem e evitam o mal.
O povo da Aliança deixa de ser um povo marcado pelo mesmo sangue e pela mesma cultura e passa a ser composto por aquelas pessoas que aceitam os ditames do Menino Deus, do Príncipe da Paz, que surgiu na noite de Natal e ressuscitou ao terceiro dia após ter sido setenciado como blasfemo e criminoso — por ter dito que era Deus e que era Rei — em uma cruz ao lado de dois malfeitores. Os ditames desse Rei, diferente de todos os demais, são: amor, perdão, simplicidade de vida, generosidade.
Nas festas de Natal, demonstramos nosso poder aquisitivo na compra de presentes e no preparo de nossa ceia. Contudo, a comida já foi para um lugar escuso e os presentes começaram a perder o seu valor, podendo ir parar nas mãos de quem não amamos. O tempo corrói! Mas as esmolas que demos, as visitas que fizemos, o tempo gasto com pessoas marginalizadas pela sociedade e também o tempo dedicado à oração foram contabilizados na economia da salvação, transformando-se em bens de eternidade, de acordo com os valores do grande Rei, o Menino que nasceu no presépio e morreu na cruz, após lavar os pés de seus discípulos.
Supliquemos com muita fé ao Senhor, peçamos a intercessão da Virgem Maria e de São José para mudarmos o nosso modo de pensar e de agir. Temos consciência disso tudo, somos evangelizados, praticamos a religião, mas o velho e viciado modo de pensar e de agir fala mais alto na hora das decisões. É preciso uma grande graça de Deus para vivermos de acordo com o Evangelho de Jesus Cristo. A salvação não virá dos poderosos, nem do dinheiro, nem da sociedade consumista. Será de um coração despojado, fraterno, pobre, que confia em Deus e nele tem sua única riqueza, e o Senhor se servirá para fazer o bem.
O Papa Leão XIV, falando sobre a conclusão do Jubileu da Esperança, recordou "as palavras com que São Paulo VI, no final do Jubileu de 1975, descreveu a sua mensagem fundamental: ela, disse ele, está contida numa só palavra: 'Amor'. E acrescentou: 'Deus é Amor! Esta é a revelação inefável com que o Jubileu, com a sua pedagogia, com a sua indulgência, com o seu perdão e, finalmente, com a sua paz, cheia de lágrimas e alegria, procurou preencher os nossos espíritos hoje e as nossas vidas para sempre amanhã: Deus é Amor! Deus me ama! Deus esperava-me e eu reencontrei-o! Deus é misericórdia! Deus é perdão! Deus é salvação! Deus, sim, Deus é a vida.'"