
Um grande levantamento feito por pesquisadores da UCLA Health analisou mais de 2,500 estudos publicados entre 2010 e 2025 e chegou a uma conclusão direta: só há evidências sólidas para um número reduzido de usos médicos da cannabis. Os cientistas filtraram 120 pesquisas consideradas as mais consistentes, incluindo ensaios clínicos e meta-análises, para avaliar quando a planta realmente funciona como tratamento.
O resultado foi claro. Benefícios clínicos bem comprovados aparecem principalmente em medicamentos específicos já aprovados por autoridades de saúde, usados em casos como perda de apetite relacionada ao HIV/AIDS, náuseas por quimioterapia e alguns tipos raros e graves de epilepsia. Fora dessas situações, especialmente em dor crônica, ansiedade e insônia, as evidências ainda são frágeis ou inconclusivas, apesar da popularidade do uso.
O estudo também soou um alerta sobre riscos. Em pesquisas com adolescentes, o consumo apareceu ligado a maior índice de sintomas psicóticos e ansiedade. Os autores ainda destacam que parte dos usuários desenvolve transtorno por uso de cannabis e que o consumo diário, principalmente de produtos inalados ou muito concentrados, pode aumentar problemas cardiovasculares, como infarto e derrame.
Os pesquisadores afirmam que faltam respostas básicas: doses ideais, efeitos a longo prazo e segurança para diferentes perfis de pacientes. Por isso, recomendam cautela, acompanhamento médico e avaliação de risco-benefício antes de qualquer indicação. A mensagem central do trabalho é direta: a cannabis não é “cura para tudo”, há avanços, mas também lacunas grandes e a ciência ainda está correndo atrás delas.
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