
Quem ainda acredita que o mundo não está atento ao Brasil se engana. Quem imagina que Luiz Inácio Lula da Silva continua sendo visto como “o cara” no cenário internacional, se engana mais ainda. Fora do país, longe do ambiente de complacência política e editorial que marca parte da imprensa nacional, Lula já não é tratado como estadista admirado, mas como um líder envelhecido, preso ao passado e com dificuldades evidentes de formular respostas à altura dos desafios contemporâneos.
Essa constatação não vem de redes sociais ou de adversários domésticos. Vem da imprensa internacional mais influente do planeta. A revista The Economist, referência global em análises políticas e econômicas, foi direta ao afirmar que Lula não deveria disputar um novo mandato presidencial. O motivo central é simples e brutal: a idade avançada e o risco concreto de declínio cognitivo no exercício do poder.
Ao afirmar que “o carisma não é escudo contra o declínio cognitivo”, a revista toca num ponto que o debate público brasileiro evita como tabu. Lula tem 80 anos e, se completar mais um mandato, deixará o poder aos 85. A comparação com Joe Biden não é gratuita. Para a publicação, a experiência americana mostrou como a insistência em lideranças envelhecidas pode resultar em constrangimento político e institucional.
A crítica não se limita à biografia ou à idade. Ela alcança o conteúdo. Declarações recentes de Lula no exterior, como a infeliz frase de que “o traficante é vítima do usuário de drogas”, foram vistas e ouvidas fora do Brasil, ainda que grande parte da imprensa nacional tenha preferido fingir que não percebeu. O mundo percebeu. Anotou. Registrou. E formou juízo.
O resultado é uma imagem internacional profundamente desgastada. Lula já não é tratado como liderança global relevante. Quando não é ignorado, aparece retratado como dirigente senil, confuso e desconectado da realidade, um paralelo incômodo com Biden no fim de sua trajetória política. A diferença é que, no Brasil, ainda se tenta sustentar o mito pela força da memória.
A The Economist também não poupou críticas à política econômica do governo, classificada como “medíocre”. Segundo a revista, o foco excessivo em políticas de transferência de renda, aliado ao aumento da carga tributária e à insegurança para o setor produtivo, mina a competitividade do país. Mesmo reconhecendo esforços pontuais, como a simplificação tributária, o diagnóstico é claro: falta visão de futuro.
O passado também cobra seu preço. Os escândalos de corrupção dos primeiros mandatos de Lula seguem vivos na memória de milhões de brasileiros e, segundo a publicação, continuam sendo um obstáculo intransponível para parte significativa da sociedade. Não se trata de narrativa política, mas de um fato que corrói a credibilidade institucional do país.
Outro ponto sensível destacado é a ausência de sucessão. Assim como Biden, Lula nada fez para preparar um herdeiro político viável. O nome do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já foi cogitado, mas não empolga. Jovens lideranças de centro e esquerda existem, mas não têm musculatura suficiente para enfrentá-lo internamente.
Do outro lado do espectro político, a revista avalia que o bolsonarismo vive um impasse. Jair Bolsonaro, preso e desacreditado, tenta transferir capital político ao filho, Flávio, visto como fraco eleitoralmente. Nesse cenário, emerge Tarcísio de Freitas, apontado como nome competitivo, mais jovem, ponderado e com perfil democrático.
O recado final da The Economist é devastador e, ao mesmo tempo, cristalino. A democracia brasileira sobreviveu, mas os brasileiros merecem escolhas melhores. Para a revista, Lula prestaria um serviço ao país e ao próprio legado se desistisse da reeleição, abrindo espaço para uma renovação real da centro-esquerda.
É improvável que isso aconteça. Lula parece respirar apenas a fama que construiu no passado. O problema é que o mundo já percebeu que aquele Lula não existe mais. E, ao contrário do Brasil oficial, a imprensa internacional não tem compromisso algum em fingir que não vê.
BRASIL Brasil - A engrenagem da escassez: como o poder se alimenta da miséria
NEM TODOS ESTÃO? Cuidando do que importa?
SELEÇÃO Seleção do IBGE segue com inscrições abertas até 9 de julho no Piauí Mín. 20° Máx. 38°