
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva estuda a compra de um novo avião presidencial, mas o processo enfrenta obstáculos. O valor estimado da aeronave, entre R$ 1,4 bilhão e R$ 2 bilhões, gera preocupação em um momento de pressão sobre as contas públicas e às vésperas de um ano eleitoral. Segundo apuração publicada pela imprensa, a cotação de preços está em fase final no Ministério da Defesa e na Aeronáutica, e o orçamento deve ser apresentado ao presidente no início de 2026.
A troca do avião atual é motivada pela insatisfação de Lula e da primeira-dama, Janja da Silva, com o conforto e a autonomia do modelo usado hoje. O presidente busca uma aeronave capaz de realizar longos voos internacionais sem escalas, com espaço adequado para reuniões, área vip e um quarto mais confortável. A Aeronáutica, porém, relata dificuldade em encontrar no mercado internacional modelos que atendam a todas as exigências, já que a oferta global desse tipo de avião é limitada e costuma exigir adaptações exclusivas.
A possibilidade de compra também levanta preocupações políticas. Um gasto bilionário em ano eleitoral poderia gerar desgaste, especialmente porque viagens de campanha precisam ser ressarcidas pelo partido. Além disso, a medida ocorre em meio à insatisfação de militares com o orçamento das Forças Armadas, que tem grande parte dos recursos comprometidos com despesas de pessoal. A aquisição, portanto, poderia ampliar tensões internas.
A discussão ganhou força após uma série de incidentes envolvendo aeronaves usadas pela Presidência. Em 2024 e 2025, falhas mecânicas obrigaram mudanças de avião, arremetidas e até longos voos em círculos para reduzir combustível antes do pouso. O atual Airbus A319CJ, conhecido como Aerolula, foi comprado há duas décadas e opera hoje com uma turbina alugada. Com autonomia limitada e histórico recente de problemas, o modelo reacendeu o debate sobre a necessidade de renovação da frota oficial.
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