
Correios saqueados: o rombo que não fecha e o desmonte que ninguém explica
O plano de reestruturação anunciado pela direção dos Correios, com previsão de até 15 mil demissões e o fechamento de cerca de mil agências, tenta vender a ideia de modernização e sustentabilidade. Mas os números, os fatos e a cronologia desmontam essa narrativa. O que está em curso não é simples ajuste administrativo. É o reconhecimento tardio de que a empresa foi saqueada nesta gestão.
É preciso registrar um dado incômodo para quem tenta terceirizar responsabilidades. O governo Lula 3 recebeu os Correios, assim como outras empresas públicas federais, com as contas equilibradas e sem rombos dessa magnitude. Não se tratava de uma empresa quebrada, inviável ou à beira da insolvência. Ao contrário, os Correios vinham operando dentro de parâmetros financeiros administráveis, mesmo enfrentando concorrência privada e mudanças tecnológicas no setor logístico.
O salto para um prejuízo acumulado de R$ 6,1 bilhões em apenas nove meses não é fruto de fatalidade, azar de mercado ou herança maldita. Não existe mágica contábil capaz de explicar tamanho colapso em tão curto espaço de tempo sem que se levante uma hipótese clara: houve gestão temerária, descontrole deliberado ou algo ainda mais grave.
Nada, absolutamente nada, justifica que uma estatal estratégica chegue ao ponto de precisar de um empréstimo de R$ 12 bilhões, avalizado pela União e pelo Tesouro Nacional, para pagar salários, precatórios e dívidas correntes. Esse tipo de operação não é plano de recuperação. É respiração por aparelhos, bancada pelo contribuinte.
O discurso oficial tenta empurrar a conta para o trabalhador. Demissão voluntária em massa, fechamento de unidades e precarização do serviço aparecem como remédio amargo, porém necessário. Mas a pergunta central segue sem resposta: quem produziu o rombo? Quem tomou decisões que drenaram recursos, comprometeram o caixa e levaram a empresa a esse estado de penúria?
A resposta oferecida até agora é o silêncio. Ou pior, a naturalização do desastre. A gestão atual age como se prejuízo bilionário fosse consequência inevitável de governar uma estatal. Não é. Prejuízo dessa ordem tem método, tem assinatura e tem responsáveis.
O mais perverso desse processo é o roteiro conhecido. Primeiro, desmonta-se financeiramente a empresa. Depois, apresenta-se a crise como inevitável. Em seguida, corta-se pessoal, fecha-se agência e abre-se espaço para parcerias privadas que, na prática, transferem ativos, mercado e capilaridade construídos com dinheiro público ao setor privado. O trabalhador paga com o emprego. A população paga com serviço pior. E o Estado paga duas vezes, primeiro ao perder a empresa e depois ao cobrir o rombo.
A greve dos trabalhadores dos Correios, longe de ser um capricho corporativo, é um grito de alerta. Os empregados sabem que estão sendo transformados em bodes expiatórios de uma crise que não criaram. Sabem também que planos de reestruturação, quando surgem depois do colapso, costumam servir mais para encobrir erros do passado do que para garantir o futuro.
Se o governo Lula 3 herdou os Correios equilibrados, então o rombo atual tem origem clara no presente. Fingir que se trata apenas de ajuste técnico é desrespeitar a inteligência da sociedade. O que se vê é um processo de desmonte e saque institucional, travestido de modernização.
Os Correios não quebraram sozinhos. Alguém os levou até aqui. E enquanto essa pergunta não for respondida com nomes, atos e decisões concretas, qualquer plano de reestruturação será apenas isso: uma tentativa de salvar a gestão, não a empresa.
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