
O exercício de futurologia para a eleição presidencial de 2026 nunca pareceu tão previsível, mas, paradoxalmente, tão instável. Em um país profundamente dividido, onde o resultado eleitoral já não depende apenas da vontade cristalina do eleitor, tudo pode acontecer, inclusive nada. Este é o retrato do Brasil que se desenha no horizonte próximo.
De um lado, a oposição acredita piamente que o sentimento dominante do povo brasileiro é o da revolta e da indignação diante de um governo que prometeu picanha e entrega osso e pé de galinha, literalmente. Do outro, um governo que canta vitória em público, mas que, nos bastidores, reconhece que não entregou o que prometeu.
No meio desse embate está o povo brasileiro, cada vez mais resignado, cansado e frustrado. A percepção social é de um país que convive com desemprego persistente, fome velada e violência escancarada. A criminalidade disparou no governo Lula 3, tornando-se uma das principais preocupações do eleitor médio.
Mais do que estatísticas, o que pesa é a sensação de insegurança cotidiana. Famílias expulsas de suas casas por facções criminosas deixaram de ser exceção, sobretudo no Estado do Ceará, governado pelo PT. A ousadia do crime organizado corroeu o discurso oficial e minou a confiança nas promessas de controle e pacificação.
Esse desgaste se aprofunda quando o eleitor se depara com declarações presidenciais difíceis de engolir, como a frase de que “o traficante é vítima do usuário de drogas”, atribuída ao próprio presidente Lula. Para grande parte da população, tais falas desconectam o governo da realidade das ruas.
Não faltam exemplos. Lula já se envolveu em gafes e declarações controversas sobre temas sensíveis como escravidão, guerra internacional, democracia, Venezuela, Ucrânia e até planos do PCC contra o senador Sergio Moro, episódio no qual insinuou armação, desmentida posteriormente por provas oficiais.
A lista de frases problemáticas inclui comparações infelizes, erros factuais graves, como dados sobre a covid-19, e declarações de cunho capacitista, gordofóbico ou diplomáticamente desastroso. O padrão se repete: quanto mais improviso, maior o estrago.
Internamente, o próprio Planalto já admite que o caminho para a reeleição em 2026 será difícil. Auxiliares reconhecem que, apesar de algumas entregas, os resultados não são suficientes para garantir vitória em um ambiente marcado por guerra de narrativas, valores e símbolos, tal como em 2022.
A estratégia do governo passa por pautas de forte apelo social, como isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil, justiça tributária, tarifa zero no transporte e o fim da escala 6×1, agenda defendida por aliados como Guilherme Boulos. Ainda assim, trata-se de uma aposta de alto risco.
No campo oposto, a direita segue orbitando em torno de Jair Bolsonaro, mesmo fora do jogo direto. Seja com um nome do clã ou um aliado político, a polarização tende a se repetir. As pesquisas mostram um cenário equilibrado, tenso e imprevisível, onde qualquer erro pode ser fatal.
Em síntese, o Brasil caminha para 2026 sem encantamento, sem esperança excessiva e sem consenso. Uma eleição previsível no formato, mas imprevisível no desfecho, marcada menos por sonhos e mais por ressentimentos, memórias recentes e palavras que o próprio poder não conseguiu conter.
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