
Rafael Fonteles disse com orgulho que o Piauí terá “o maior número de vagas em concursos públicos da história”. Falou empolgado, posou para a câmera e vendeu isso como grande conquista. Sinceramente? É assustador. Em um dos estados mais pobres do país, o governador comemora inchar ainda mais a máquina pública, como se dependência do Estado fosse sinônimo de progresso. Não é. É sintoma de um modelo que cansa, que não gera riqueza e que insiste em tratar o serviço público como único sonho possível para os jovens.
Concursos são necessários para áreas essenciais, ninguém discute isso. O problema é transformar contratação estatal em política de desenvolvimento. Enquanto Fonteles vibra com novos cargos, o estado segue caro para produzir, com ICMS pesado e o velho hábito de correr ao STF quando alguém tenta aliviar a conta de quem gera energia limpa. Cadê o discurso sobre cortar gastos, reduzir secretarias, enxugar estruturas inúteis? Isso não aparece. O que aparece são restaurantes populares lotados, filas antes do sol nascer e gente sobrevivendo a R$ 0,50. Essa cena não é política social “bonita”, é fracasso exposto.
O que se esperava ouvir de um governador? Que o Piauí atrairá empresas, que haverá competição real na energia, que impostos serão reduzidos para liberar quem quer trabalhar e empreender. Que os melhores alunos sairão da faculdade criando soluções, abrindo negócios, inovando. Que haverá zonas de liberdade econômica sem imposto para puxar investimentos de fora. Nada disso entrou no discurso. Entrou, de novo, a velha promessa de emprego público como salvação. É o Estado dizendo: “não crie, não arrisque, espere o edital”.
O Brasil nunca ganhou um Nobel. A Argentina tem três. Não é falta de talento é falta de rumo. Mentalidade importa. Quando o chefe do Executivo do Piauí bate no peito para anunciar mais concursos, ele não está apenas falando do presente; está empurrando o futuro para o mesmo buraco de sempre. O recado implícito é cruel: “sonhe com estabilidade, não com prosperidade”. E enquanto esse for o orgulho de quem governa, não estranhe se o estado continuar pobre, não por falta de gente capaz, mas por excesso de conformismo incentivado pelo próprio poder público.
Confira o momento em que Rafael Fonteles anuncia, com entusiasmo, milhares de vagas em concursos públicos durante entrevista à TV GP1:
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