
O Império do Brasil durante o século XIX foi a construção de uma nação livre e soberana com a participação de diversos cidadãos que contribuíram com sua história. Brancos, negros e mestiços das mais diversas profissões e das ciências — sejam elas humanas, medicina, odontologia, literatura, engenharia civil, militar e engenharia naval; jornalismo, filosofia, direito, teologia, professores, historiadores, romancistas, desenhistas, pintores, teóricos de artes, ensaístas, políticos, diplomatas e militares, além dos profissionais liberais, escravos e trabalhadores braçais livres — também contribuíram com a formação da nação e da historiografia brasileira. Durante o Império do Brasil, muitos negros e mestiços tinham essas formações e profissões.
Alguns nomes de negros e mestiços famosos no Brasil Imperial incluem:
• José Maurício Nunes Garcia, negro e filho de ex-escravos; foi padre, estudou música, composição e regência, e foi um exímio organista.
• Maria Firmina do Reis, filha de mãe branca e pai negro, escritora e professora, foi a primeira mulher a passar para o concurso público como professora e é considerada a primeira romancista negra brasileira.
• Luís Gama, filho de mãe negra e pai branco, foi advogado, escritor e abolicionista.
• André Pinto Rebouças, engenheiro militar, inventor, ativista político abolicionista e monarquista. Descendente de uma ex-escrava e um português.
• Francisco José do Nascimento, o Dragão do Mar, natural do Ceará, foi marinheiro e ativista político, lutando na causa abolicionista.
• Joaquim Maria Machado de Assis, carioca e descendente de negros, foi escritor, jornalista e poeta.
• Estêvão Roberto da Silva, também carioca e negro, foi professor e se destacou como pintor e desenhista na Academia Imperial de Belas Artes.
• Cândido da Fonseca Galvão, conhecido como Dom Obá D´África, foi um fidalgo e militar brasileiro (alferes), filho de africanos forros e neto do Obá (rei) Abiodun, governante do Império de Oyo. Era recebido no palácio imperial por D Pedro II.
• José Carlos do Patrocínio, nascido em Campo do Goytacazes, RJ, filho de escrava, completou seu estudo primário aos 14 anos e se destacou como jornalista, escritor, orador, abolicionista e monarquista.
• João da Cruz de Souza, de Santa Catarina, foi poeta e escritor, filho de escravos alforriados. Trabalhou como arquivista da Estrada de Ferro Central do Brasil e foi um dos precursores do simbolismo no Brasil. Segundo Antônio Candido, João da Cruz foi o “único escritor eminente de pura raça negra na literatura brasileira.”
Esses e outros nomes de negros e mestiços tiveram um papel crucial na construção e desenvolvimento da historiografia e da identidade nacional brasileira no século XIX.
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